Rio A Varig terá que refazer seu balanço financeiro de 2001 e todos os demonstrativos trimestrais publicados de 2002. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) detectou uma série de irregularidades nos números da empresa aérea, que hoje atravessa uma grave crise financeira.
Os técnicos da autarquia destacam em ofício encaminhado à Varig que a companhia vem sistematicamente registrando créditos fiscais diferidos como ativo. Segundo eles, a prática não deveria ser adotada por uma empresa com um patrimônio negativo em cerca de R$ 1,5 bilhão.
O uso desses créditos é aceito pela CVM e pelo Instituto dos Auditores Independentes do Brasil (Ibracon) normalmente em empresas recém-criadas, nas quais é possível se esperar um incremento em suas receitas. No ofício, a autarquia destaca que o próprio auditor da Varig fez uma ressalva sobre esse tema no balanço da companhia em 2001.
Outro erro encontrado é o fato de a companhia aérea não ter reconhecido um passivo atuarial de cerca de R$ 500 milhões no demonstrativo do primeiro trimestre do ano passado. A autarquia exige agora o reconhecimento do valor e a divulgação de uma nota explicativa sobre a natureza da rubrica ''direitos contra a patrocinadora''.

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