CVM apura venda de informações privilegiadas
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sexta-feira, 01 de setembro de 2000
Agência Estado Do Rio 
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) trava nos últimos meses uma luta silenciosa contra a venda de informações privilegiadas no sistema financeiro. Foram encontrados indícios de insiders information nas principais operações de mercado de capitais feitas nos últimos 12 meses. A autarquia chegou a abrir inquérito para apurar irregularidades em casos como a criação da AmBev e o fechamento de capital da White Martins.
Também despertou interesse da CVM a forte alta dos papéis da Santista Alimentos um dia antes de o controlador da empresa, o Grupo Bunge, anunciar a intenção de incorporar a Santista à Ceval Alimentos. Os próprios executivos das companhias admitiram que houve vazamento de informação, o que levou o anúncio da reestruturação do grupo a ser antecipado em um dia.
A venda de informação privilegiada no mercado não é um fato novo. O problema, segundo analistas financeiros, é que o comércio tem crescido muito.
Quando a nova Lei das S.A. for aprovada e a CVM tiver mais independência, acho que a vigilância será maior nesse sentido, previu Mauro Cunha, executivo da Investidor Profissional, administradora de recursos que liderou os minoritários contra o processo de fechamento de capital da White Martins.
Uma das estratégias para diminuir essa prática no mercado é a vigilância sobre as informações prestadas pela companhias aos acionistas. A CVM tem fechado o cerco em torno desses dados, obrigando as empresas a divulgar, por meio de fato relevante, qualquer dado que influencie na decisão de comprar ou vender uma ação.
O diretor da CVM Joubert Rovai ressalta que a venda de informação privilegiada nos Estados Unidos é considerada crime. No Brasil, é tida como infração grave, sujeita a punição da CVM.


