O presidente da Caixa Econômica Federal (CEF), Sérgio Cutolo, disse ontem que a solução para os 42 mil mutuários da Encol receberem os seus imóveis pode ser o financiamento direto àqueles que se reunirem em condomínio. Ele explicou que essa alternativa está sendo analisada pela área jurídica da CEF, mas não poderá ser aplicada se for decretada a falência da empresa. A Encol deve aproximadamente R$ 28 milhões à CEF.
Os bancos credores, explicou Cutolo, estão separando as dívidas dos empreendimentos imobiliários da Encol da dívida da construtora. A medida facilitará o financiamento direto aos mutuários para a retomada das obras, caso seja fechado algum acordo. ‘‘A decisão cabe à Justiça.’’
Cutolo reuniu-se ontem de manhã com mutuários da Encol no Rio. Ele contou que os principais credores da construtora - Banco do Brasil, CEF, Itaú, Excel e Bandeirantes - já aceitaram financiar as obras diretamente aos mutuários. ‘‘Mas de maneira alguma os bancos darão mais dinheiro para tapar o rombo’’.
O presidente da Caixa estimou em R$ 1,4 bilhão o passivo da Encol, mas disse ser necessária uma auditoria para chegar ao número correto. Cutolo contou que se reuniu com o presidente Fernando Henrique Cardoso, que lhe pediu que encontrasse uma solução para a crise. ‘‘Mas cada dia que passa isso fica mais difícil’’, desabafou.
Venda da empresaO acionista controlador e presidente do Conselho de Administração da Encol, Pedro Paulo de Souza, disse ontem que teria assinado com o representante das empresas americanas CB Comercial Group e World Mae, o empresário boliviano Emilio Gorriti, um protocolo de intenções com vistas a uma futura negociação para a venda da construtora. A assessoria da Encol não distribuiu cópia do protocolo, sob a alegação de que os papéis assinados demonstram apenas a pré-disposição das partes em concretizar um acordo que viabilize a conclusão dos prédios inacabados e a entrega dos imóveis aos mutuários.

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