Robson Fernandjes/AE
(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)Vicentinho, da CUT, discursa: ‘‘Se os saques ocorrerem, vamos apoiar’’Nunca na sua história a Central Única dos Trabalhadores (CUT) comemorou com tanta modéstia o Dia do Trabalho e mobilizou um número tão pequeno de trabalhadores como este ano. A maior central sindical do País conseguiu reunir apenas um décimo do total de trabalhadores do ano passado. Segundo estimativas da Polícia Militar, compareceram ao ato político, realizado na Avenida Paulista, cerca de 3 mil pessoas. Os organizadores da CUT estimaram em 5 mil pessoas. Sindicalistas e trabalhadores iniciaram passeata, às 11 horas, da Praça da Sé, depois da tradicional missa, a última do Dia do Trabalho celebrada pelo cardel arcebispo de São Paulo, D. Paulo Evaristo Arns.
O presidente da CUT, Vicente Paulo da Silva, participou de uma outra missa, rezada na região do ABC. Vicentinho, que chegou no finalzinho do ato político, disse que esperava um número menor de pessoas. ‘‘Quem veio, veio exclusivamente para o 1º de Maio’’, disse, numa crítica à festiva comemoração comandada pela rival Força Sindical.
Para Vicentinho, a taxa recorde de desemprego - em São Paulo 18,1% em março, equivalente a 1,5 milhão de desempregados, segundo o Dieese - e o baixo valor do salário mínimo não são motivos de festa. ‘‘Nunca vi uma situação tão péssima no País’’, afirmou. Quando o presidente Fernando Henrique tomou posse a taxa de desemprego era menor, de 12,1%, lembrou Vicentinho. Uma ausência sentida foi a do presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, que ficou no ABC.
O Dia do Trabalho marcou o início da jornada nacional contra o desemprego que a CUT, com o Movimento dos Sem Terra, estudantes e movimentos populares, está organizando. Cinco caravanas partirão de diversos estados do País e se encontrarão em Brasília, no dia 20 de maio, quando será realizada uma manifestação contra o desemprego. A direção estadual da CUT espera reunir 30 mil pessoas nessa manifestação. A primeira caravana sai de Porto Alegre, no dia 12 deste mês, passando pelas demais capitais do sul. No dia 15 chega a São Paulo rumo às cidades mineiras de Uberaba e Uberlândia terminando em Brasília.
Em cada cidade onde a caravana passar serão discutidas, com prefeitos, empresário e governadores, propostas de políticas de criação de empregos, reciclagem profissional e de redução do elevado número de desempregados, para serem entregues ao governo federal. Entre essas propostas está o aumento do valor do seguro-desemprego e uma política industrial que priorize o emprego.
A CUT iniciou ontem uma campanha de arrecadação de alimentos para a população do Nordeste que está sofrendo com a seca naquela região. Vicentinho disse que não é favorável aos saques, mas se ocorrerem a CUT vai apoiar. ‘‘Quem tem fome não tem outra alternativa, principalmente se tem comida apodrecendo nos armazéns do governo’’, afirmou.

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