CUT quer recuperação do mínimo
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quarta-feira, 20 de abril de 2005
Isabel Sobral<br>Agência Estado 
Brasília - O presidente Central Única dos Trabalhadores (CUT), Luiz Marinho, cobrou ontem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a promessa, feita no início do ano, de adotar uma política de recuperação gradual do valor real do salário mínimo.
Segundo Marinho, a idéia de formar um grupo integrado por representantes de trabalhadores, empresários, governo e aposentados para formular o plano deverá ser formalizada em um artigo no texto da medida provisória que fixará o novo valor de R$ 300 para o salário mínimo.
''Tanto o presidente quanto o ministro (José) Dirceu (Casa Civil) me disseram que a formalização desse grupo estará no texto da MP'', afirmou ontem o sindicalista, que participou da abertura do 16º Congresso Continental da Confederação Internacional das Organizações Sindicais Livres - Organização Regional Interamericana de Trabalhadores (Ciosl-Orit).
A expectativa de Marinho é que a MP com o novo valor do mínimo deverá ser divulgada nos próximos dias, já que deverá entrar em vigor a partir de 1º de maio.
Luiz Marinho elogiou a decisão de elevar o valor do mínimo para R$ 300 porque, segundo ele, esse aumento já incorpora cerca de 10% de reajuste real, ou seja, acima da inflação. ''Mas só isso não é suficiente'', disse Marinho. A proposta da central sindical é que seja elaborada uma forma automática de recuperação gradual do valor do mínimo incorporando parte do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do País.
O governo antecipou, no final do ano passado, a decisão de elevar o valor do salário mínimo este ano de R$ 260 para R$ 300. Com isso, a elaboração das receitas que seriam usadas para o pagamento do reajuste já foram definidas no orçamento geral da União deste ano. As centrais sindicais não ficaram satisfeitas com o valor e pressionaram o governo para formular uma política de longo prazo de recuperação do valor do mínimo.
Lula - Depois de ouvir críticas de sindicalistas às mudanças nas legislações trabalhista e sindical, durante a abertura do congresso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez uma veemente defesa das reformas trabalhista e sindical.
Lula alertou que o sindicalismo hoje tem de se adaptar às novas realidades do mundo do trabalho, estar mais conectado com o que acontece nos países, não se limitando a discutir reivindicações por melhores salários e fazer críticas ao governo.
''Para isso, não precisa de sindicato, o povo faz em casa'', afirmou o presidente, ao avisar que, quando deixar o governo irá participar de assembléias no sindicato dos metalúrgicos ''porque não sou presidente, estou presidente e eu sou mesmo é dirigente sindical''.


