Carmem Murara
De Curitiba
A proposta de criação de um Sindicato Nacional dos Metalúrgicos da CUT, que passaria a regulamentar as condições de trabalho da categoria em todo o País, poderá gerar um ‘‘racha’’ no Paraná. A intenção do presidente interino do Sindicato Nacional, Heiguiberto Guiba Navarro, é fixar bases no Paraná, caso o sindicato local não se estimule a aderir à nova proposta. A criação de uma entidade nacional está sendo vista como uma nova proposta de sindicalismo, nos moldes do que é feito hoje na maioria dos países da Europa.
Navarro disse que espera contar com a adesão dos sindicatos de metalúrgicos de todo o País, independente da corrente sindical a que pertençam. ‘‘Queremos contar com a presença do Sindicato dos Metalúrgicos de Curitiba (ligado à Força Sindical)’’, afirmou ontem. Ele disse que se não houver a adesão, o Sindicato Nacional dos Metalúrgicos da CUT vai desembarcar no Paraná.
O interesse da central sindical está no crescimento do pólo automotivo paranaense, que já responde pela terceira maior produção de carros do País, atrás de São Paulo e Minas Gerais. A chegada das montadoras Renault, Volkswagen/Audi e Chrysler, além da já instalada Volvo, fez com que houvesse uma desconcentração da produção de carros no Brasil. Até meados da década de 90, a região do ABC paulista respondia por 70% da produção de veículos. Hoje, responde por menos de 40%.
Navarro disse que é necessário aumentar a participação sindical junto aos metalúrgicos. ‘‘Tenho recebido várias reclamações de trabalhadores das montadoras paranaenses, que estão descontentes com o sindicato aí em Curitiba’’, provocou.
A resposta vém no mesmo tom dos representantes do Sindicato dos Metalúrgicos de Curitiba. ‘‘Se eles quiserem entrar aqui, isso vai dar muito o que falar’’, rebateu o diretor do sindicato Núncio Manala. O presidente do sindicato Sérgio Butka avalia que é muito difícil viabilizar um sindicato nacional. ‘‘O País é muito grande para se conseguir uma unificação’’, afirmou Butka.
Manala disse ainda que apóia a proposta de criação de sindicatos nacionais, mas não se mostrou favorável à aproximação com a CUT. Na sua avaliação, a nacionalização tornará o Brasil semelhante a países europeus que tem um sindicato nacional para defendê-los. Manala defende que a Força Sindical também se organize para criar sua estrutura nacional.