CUT protesta contra o desemprego
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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009
Thiago Alonso<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Com receio da crise internacional que já atinge o setor de empregos no Brasil, lideranças de categorias de trabalhadores se reuniram ontem pela manhã, na Boca Maldita, em Curitiba, para mobilizar funcionários, sensibilizar empregadores e tentar atenuar a onda de cortes de posto de trabalho em todo o mundo. Organizada pela Central Única dos Trabalhadores do Paraná (CUT-PR), a movimentação faz parte do Dia Nacional de Luta em Defesa dos Empregos e Salários, data criada pelo movimento para mobilização, em todo o Brasil, contra as demissões.
Lideranças de categorias como bancários, servidores públicos, trabalhadores da construção civil, petroleiros, entre outros, marcaram presença na mobilização. De acordo com o vice-presidente da CUT-PR, Miguel Baez, os trabalhadores não vão aceitar mais cortes em postos de trabalho ou redução de salários. ''Nossa luta é para que os empresários não se precipitem com demissões ou redução de salários'', argumenta. Ele reconhece, no entanto, o momento delicado de desaceleração da economia global que eleva a preocupação em todos os setores do mercado.
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) publicou esta semana uma pesquisa que indica que em dezembro do ano passado os postos de trabalho na indústria recuaram 1,8%. No Paraná o índice foi de -3,1%. Para frear mais demissões em massa, a CUT elaborou uma série de propostas, que devem ser levadas a empregadores e ao governo federal. Uma delas, explica Baez, são as Câmaras Setorias, que propõe encontros entre trabalhadores, empresários e governo para debater e criar medidas econômicas e políticas para elaborar novas formas de distribuição de renda.
Os sindicalistas defendem ainda o uso do superávit primário em obras que criem empregos e a redução da taxa básica de juros e de impostos. Durante a manifestação, membros da CUT falaram sobre as medidas e como elas servem para pressionar os empresários e o governo. A ideia do movimento é continuar os protestos, expandindo as medidas para assembleias em portas de fábricas, passeatas e atraso na entrada dos turnos. Até greves gerais são cogitadas pelo movimento. ''É preciso uma mudança da mentalidade do empresário, que sempre busca o lucro desenfreado. Agora é necessária uma valorização do trabalhador'', disse Baez.
A reunião na Boca Maldita foi apenas uma das ações dos trabalhadores. No incío da manhã, os sindicalistas fizeram uma panfletagem na porta da Agência do Trabalhador de Curitiba. No interior do Estado, sindicatos de Maringá também realizaram ações no dia de ontem. Panfletos foram distribuídos no terminal de ônibus e uma manifestação organizada em uma praça da cidade.


