Ribeirão Preto - O presidente nacional da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Luiz Marinho, propôs ontem a criação de um grande entendimento nacional com o intuito de garantir o crescimento da economia por um longo prazo. Marinho afirmou que o governo federal seria o principal agente desse entendimento e defendeu, por exemplo, que a União reduza impostos de importação de matérias-primas de setores que estão com uso pleno da capacidade instalada, até que essas áreas possam investir no País e ampliar a produção.
''Essas empresas que estão em sua capacidade máxima são basicamente as formadoras de preços e estão no topo da cadeia produtiva. São as (processadoras) de aço, borracha e plástico e, à medida que começam a aumentar preços, criam uma pressão para a inflação aumentar'', disse Marinho, que lidera as conversas para a formação desse entendimento nacional. Além do governo, fariam parte do acordo os trabalhadores, a indústria e os banqueiros.
O presidente da CUT defendeu ainda que as empresas beneficiadas pela isenção de impostos de importação teriam necessariamente de assumir o compromisso de não aumentar o preço e investir no aumento da produção. ''Se o governo, como principal agente, pode lançar mão do imposto dessa matéria-prima por, digamos, dois anos, também pode retaliar quem não se enquadrar e, por exemplo, aumentar a alíquota de exportação para essas empresas'', disse.
Para Marinho, o governo não teria perda de receita, já que o incentivo à produção ''criaria um aumento de arrecadação na escala'' e também não haveria um controle ou um congelamento nos preços. ''Haveria, sim, uma pactuação entre os elos da cadeia produtiva para a manutenção de preços e contratos por mais longo prazo, como forma de garantir o fornecimento de matérias-primas para o País continuar crescendo'', disse.
Banco Central - Ao ser indagado pela Agência Estado sobre qual seria a participação do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, no amplo entendimento nacional que vem sendo negociado pela CUT, Marinho foi claro. ''O Meirelles tem de cumprir o acordo e não tem que opinar sobre isso. Como todo respeito aos técnicos, quem tem de decidir é o presidente da República e essa é uma discussão mais política do que econômica'', disse Marinho. ''São os agentes políticos que criam esse entendimento e compete aos técnicos fazer cumprir (o acordo), já que os técnicos não podem determinar a política, e sim ter uma diretriz para trabalharem.''
Marinho criticou Meirelles e afirmou que o presidente do BC tem como receita única para o controle da inflação o aumento nos juros e a restrição ao crédito. ''Isso é um desastre e faz com que a economia funcione só por mais dois anos. Não podemos permitir a continuidade dessa gangorra, temos que dar continuidade, sim, ao crescimento'', afirmou. O presidente da CUT adiantou ainda que irá se reunir com o presidente eleito da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, na próxima semana na capital paulista. O encontro será provavelmente já na segunda-feira.

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