A primeira reunião do fórum entre governo e sindicalistas, organizado pelo ministro do Trabalho, Paulo Paiva, promete ser tensa. Depois do alarde inicial em torno da negociação, sindicalistas da Central Única dos Trabalhadores (CUT) querem saber se há disposição do governo de discutir uma política industrial para todo o País e uma política de criação de empregos igualmente nacional, como foi combinado. Ou se Paiva pretende apenas reeditar programas já existentes, de reciclagem e microcrédito a desempregados, com o propósito de obter publicidade para antigas ações do governo. A reunião ainda não tem data marcada, mas Paiva deve procurar sindicalistas nos próximos dias para definir a agenda.
Só que a informação de que o governo apresentaria programas de microcrédito e reciclagem como saída para o desemprego, dada pelo presidente do BNDES, Luiz Carlos Mendonça de Barros, deixou a CUT desconfiada. O secretário geral, João Felício, estranhou as propostas.
Isso porque o microcrédito para desempregados abrirem seus próprios negócios já existe, pelo menos no papel, no Programa de Geração de Emprego e Renda (Proger), lançado e relançado por Paiva durante o ano passado; e o programa de reciclagem profissional está há tempos em andamento com recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).
A CUT não se opõe aos programas, mas está se preparando para algo bem maior. ‘‘A nossa expectativa é fazer uma negociação ampla, envolvendo, além de política nacional de criação de emprego, uma política industrial para o País’’, afirmou Felício.

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