CUT-PR fará mobilização se não sair acordo hoje
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segunda-feira, 19 de março de 2001
Luciana PomboDe Curitiba 
Dirigentes estaduais da Central Única dos Trabalhadores (CUT-PR) decidiram ontem em assembléia que não irão aceitar a proposta nacional para o pagamento da correção das contas do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) relativo aos planos Verão e Collor, caso não haja uma modificação. A proposta nacional é a de que o rombo, de cerca de R$ 40 bilhões, seja pago com a criação de uma contribuição adicional sobre a folha de salários (que iria de 8% para 9%) e com um acréscimo no valor da multa rescisória (de 40% para 50%).
Não podemos aceitar que apenas os trabalhadores e os empregadores paguem essa conta. O governo federal e os bancos também precisam ter sua parcela de contribuição, declarou o sindicalista Roberto Von der Osten, presidente da CUT-PR.
O assunto será colocado em pauta hoje durante uma reunião entre sindicalistas e o ministro do Trabalho, Francisco Dornelles, em Brasília. A proposta do governo federal garante que ao longo de sete anos sejam arrecadados R$ 30 bilhões. Os outros R$ 10 bilhões, segundo os dirigentes da CUT, poderão ser arrecadados com o aumento do Imposto de Renda dos bancos que tenham lucro líquido superior a R$ 240 milhões por ano.
Na sexta-feira, representantes sindicais de todo o País irão se reunir em São Paulo, para detalhar um novo calendário de mobilizações. Estamos defendendo uma mobilização nacional, com debates entre todos os sindicatos e com a retomada dos processos judiciais, adiantou Osten. Outras reivindicações dos trabalhadores são aumento da alíquota de correção do FGTS (que hoje é de 3% ao ano) e gestão do FGTS com participação mais efetiva dos núcleos sindicais.
Ainda fazem parte da proposta federal o pagamento de 92% dos trabalhadores atingidos pelos planos Verão e Collor (calculados 54 milhões) em 15 meses. Os outros 8%, que deverão receber mais de R$ 1 mil, terão que esperar três anos para começar a receber.


