Brasília O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Luiz Marinho, foi ontem ao Palácio do Planalto pedir a criação de um milhão de empregos emergenciais, e deixou o gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva dizendo que o fim do tempo das vagas magras ainda não chegou. ''Nada disso, as vacas não engordaram não. Elas ainda estão magras e ainda vai levar um tempo para elas engordarem. Pode ser que com a chuva, o pasto melhore e as vacas comecem a engordar'', ironizou Marinho, que quer que o governo abra frentes de trabalho para reduzir o ''desemprego recorde''.
Segundo Marinho, que se reuniu por mais de uma hora com Lula, ao lado de outros oito sindicalistas, a CUT está propondo que sejam criados um milhão de novos empregos, nos próximos seis meses, nas áreas de limpeza, saneamento básico e habitação popular. Marinho, que não deu detalhes do plano que teria sugerido ao governo, mas que sugeriu que o dinheiro para este fim saia do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), falou de sua preocupação com o atual índice de 13% de desemprego.
''A diferença é que antes esse índice estava em queda e agora estamos preocupados porque atingiu um recorde'', declarou o presidente da CUT, que reconheceu os esforços que estão sendo feitos pelo governo para a retomada do crescimento. ''Só que o resultado dessas iniciativas só poderá ser vistos no final do primeiro semestre do ano que vem e precisamos de oportunidades emergenciais, uma espécie de grande frente de trabalho, para cobrir este período crítico, até chegar lá'', comentou Marinho.
De acordo com ele, o presidente fez referência a várias medidas que estão sendo adotadas para melhorar os níveis de emprego, como o microcrédito e seguro safra. ''Mas isso não é suficiente porque o emprego vai demorar a aparecer na indústria'', afirmou Marinho, que disse que Lula determinou ao Ministério do Trabalho que estude essa proposta e retome as conversas com a Central na última semana de outubro.
Indagado se a CUT não comemorava os índices do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) que apontam que acabou a ''recessão técnica'' já que a produção da indústria brasileira cresceu 1,5% em agosto, em comparação com julho, Marinho garantiu que a Central comemora sim. ''Mas este crescimento, por si só, não resolve de forma automática o problema do emprego. É preciso agregar outras medidas'', salientou. Também participaram da audiência os ministros do Trabalho, Jaques Wagner, e da Secretaria-Geral da Presidência, Luiz Dulci.
Em janeiro, o presidente Lula prometeu criar oito milhões de novos empregos até o final do mandato. O Cadastro Geral de Emprego e Desemprego (Caged) do Ministério do Trabalho registra que o mercado formal criou, nos oito primeiros meses deste ano, 677 mil novas vagas.

mockup