CUT muda estratégias
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terça-feira, 12 de novembro de 1996
Hudson José 
A CUT está preparando estratégias diferenciadas de mobilização para unir os trabalhadores em campanhas salariais. O presidente da Central Única dos Trabalhadores, Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho, que esteve ontem em Curitiba, admitiu que o movimento sindical não está conseguindo romper a barreira formada pelo medo do desemprego que tem inibido a adesão dos trabalhadores nas campanhas.
Segundo Vicentinho, campanha salarial em época de crise é difícil. No final do mês passado, quando tentava reunir os funcionários público da Esplanada dos Ministérios, em Brasília, em uma manifestação contra a reforma administrativa, o líder sindical chamou os funcionários de frouxos. Entretanto, admite que o medo de desemprego é um fator desmobilizador do movimento sindical.
O trabalhador toma cuidado para não participar de greve prolongada. A garantia com a base industrial é uma preocupação permanente, afirmou. Essa transformação, segundo ele, está levando a uma estratégia que definiu como greve inteligente.
Esta é a ação que a CUT e o Sindicato dos Metalúrgicos está realizando em São Paulo, na região do ABC, para forçar acordo salarias junto às montadores de automóveis. Os trabalhadores suspendem temporiamente a atividade em unidades fornecedoras de matéria-prima e de autopeças, que comprometem as linhas de produção.
É a mesma linha que a CUT vai adotar no início do próximo ano quando pretende liderar o movimento Reage Brasil. Segundo Vicentinho, a idéia é destacar um dia para reunir todas as categorias em uma paralisação estratégica. O movimento é definido como a segunda fase da greve geral que foi convocada em 21 de junho deste ano e que não teve a adesão esperada pela Central.
Outro foco do movimento sindical é o Mercosul. No dia 17 de dezembro próximo, as centrais dos trabalhadores do Brasil, Chile, Paraguai, Uruguais e Bolívia realizam o o 1º Dia de Luta Internacional pelo Direito do Trabalhador no Mercosul que terminará em Fortaleza, onde estarão reunidos os presidentes dos países que compõem o Mercosul. Em março do ano que vem, um novo movimento, com uma caravana passando nas principais cidades do Mercosul e terminando em Foz do Iguaçu.


