A Central Única dos Trabalhadores (CUT) está mobilizando mais de 500 pessoas no Rio Grande do Sul para participar, em Buenos Aires, amanhã, de um ato contra a Área de Livre Comécio das Américas (Alca), aproveitando a presença dos ministros dos 34 países que comporiam o bloco. Uma caravana de 13 ônibus com sindicalistas parte na madrugada de hoje de Porto Alegre, e outros quatros do interior do Estado.
As manifestações na capital argentina, onde ocorrem as negociações preliminares para a reunião de cúpula da Alca, estão sendo organizadas pela Coordenadora de Centrais Sindicais do Cone. O ato contra a Alca está previsto para ocorrer às 16h de amanhã, em frente ao Congresso argentino.
Na quarta-feira, o governador gaúcho, Olívio Dutra, participou de um seminário sobre o Mercosul na capital argentina e voltou a defender ‘‘pressa no Mercosul e cautela na Alca’’. Para o governador petista, os Estados Unidos estão apressando o processo de integração das Américas por temor de perder espaço para a União Européia e o Japão. ‘‘O que deveríamos fazer é consolidar o Mercosul e, a partir daí, negociar com os demais blocos’’, afirmou Olívio. Ele propôs ao governador da província de Buenos Aires, Carlos Ruckauf, que os governos regionais dos dois países criem ‘‘Mercoestados’’ e se articulem para intervir com propostas na agenda dos presidentes. A sugestão foi aceita pelos argentinos, e a primeira reunião foi marcada para Porto Alegre, em julho.
Sem avançoO segundo dia de discussões da 8ª reunião do Comitê de Negociação Comercial da Alca (CNC) terminou ontem sem avanço. ‘‘O ritmo é preocupante porque até agora não se conseguiu discutir nada do que tem que chegar aos ministros da reunião de sábado próximo’’, reclamou o chefe da delegação brasileira, embaixador José Alfredo Graça Lima. Os negociadores devem trabalhar três documentos: um que dá instrução aos grupos negociadores, de como encaminhar ações; outro que faz um relatório sobre tudo o que está sendo discutido; e por último a declaração ministerial que deverá ser assinada pelos 34 ministros das Américas, exceto Cuba.
Durante dois dias, a reunião, que está sendo realizada em Buenos Aires, conseguiu discutir somente o documento que trata das instruções sobre serviços, agricultura, investimentos, subsídios, antidumping e políticas de concorrência. Ontem à tarde, foram debatidos os temas de compras governamentais e solução de controvérsia. ‘‘Avançamos só em discussão. Em acordos não’’, comentou Graça Lima. Segundo ele os impasses tomam conta do cenário sempre que se fala em datas. ‘‘Em algum momento teremos que abandonar as discussões que não avançam para trabalhar na declaração ministerial, caso contrário os ministros chegarão e não terão o que assinar’’, afirmou.

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