A Central Única dos Trabalhadores (CUT) prevê que no ano que vem, por causa da desaceleração da economia, 400 mil vagas de emprego deixarão de ser criadas em todo o País. Mesmo com essa previsão pessimista, a entidade, que completa hoje 18 anos de existência, diz que tem motivos para comemorar.
De acordo com o presidente regional da CUT, Roberto Von der Osten, a crise econômica no Paraná vai ser menor do que no restante do Brasil, mas também vai ser grave. Segundo ele, a CUT não conseguiu vencer em algumas situações, como nas privatizações do Banestado e das estradas estaduais.
''Mas se a gente não tivesse tido um papel importante na disputa por salário, ou pela manutenção da educação nas mãos do governo, as coisas seriam muito piores para os trabalhadores'', afirmou Van der Osten. Segundo ele, a CUT tem atuado bastante com a sociedade civil organizada. ''Temos participações em conselhos municipais, estaduais e temos defendido bandeiras que outras centrais sindicais não adotaram'', disse.
Como parte das comemorações, a direção estadual da CUT realiza hoje uma plenária em Curitiba, na Federação dos Trabalhadores nas Empresas de Crédito (Fetec), com a participação de cerca de 100 sindicatos, onde vão ser discutidas a organização do plebiscito sobre a privatização da Companhia Paranaense de Energia Elétrica (Copel) e a unificação da campanha salarial.
''Vamos batalhar para que o controle da Copel fique com o governo, porque é um assunto estratégico que atrai indústrias que geram empregos. O governo estadual poderia ainda diversificar a produção energética, mas a iniciativa privada não teria esses interesses'', afirmou Von der Osten.'' Ele disse também que a CUT vai brigar pelo reajuste salarial, mesmo em época de desaceleração econômica.
A CUT possui 130 sindicatos filiados no Paraná e representa 700 mil trabalhadores, 30% dos total de trabalhadores com carteira assinada no Estado. Ela é a maior entidade sindical do País, com 3.187 sindicatos filiados, cuja base abrange 21 milhões de trabalhadores. A entidade surgiu a partir da resistência dos metalúrgicos de São Paulo às políticas salariais e à falta de liberdade sindical que marcaram os governos militares e manteve ao longo desse período uma imagem fortemente ligada à contestação. (Com Agência Estado)

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