CUT cobra definição sobre emprego e renda
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domingo, 04 de abril de 2004
Célia Froufe<br>Agência Estado 
São Paulo- A Central Única dos Trabalhadores (CUT) quer conversar com o governo sobre problemas como desemprego e baixa renda, segundo informou, ontem, o presidente da entidade, Luiz Marinho. Ele fez a afirmação à Agência Estado após discurso em evento realizado ontem na Praça Campo de Bagatelle, na zona norte da capital paulista. O evento faz parte das comemorações do 1º de Maio, Dia Internacional do Trabalho.
Marinho disse que ''em poucos dias'' terá uma audiência com o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, para debater estes temas. Ele também informou que já solicitou um encontro com o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), mas até agora não obteve uma resposta. Segundo o sindicalista, o debate é a melhor forma de solucionar os dois problemas considerados mais importantes pela central sindical. De acordo com ele, o evento de ontem na capital paulista foi uma maneira de ampliar a discussão com a sociedade .
Sobre as ameaças dos últimos dias de endurecimento do discurso do líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), João Pedro Stédile, com o governo, que chegaram a ser consideradas uma provocação, Marinho avalia que não há exageros por parte do MST. ''O MST está fazendo as mobilizações que sempre fez. Para mim, a atuação do movimento até agora não vai além do que a Constituição permite'', argumentou.
Para o líder sindical, tanto a renda quanto o desemprego são questões de responsabilidade dos governantes. ''É preciso que o País não tenha apenas indicadores de inflação e de superávit primário. Temos de ter também metas de emprego e renda'', defendeu, acrescentando que espera um aumento do salário mínimo no próximo mês para R$ 300,00 e que, até o final do ano, sejam criados 1 milhão de postos de trabalho no País. Para isto, segundo ele, seria necessária a contratação emergencial de trabalhadores, principalmente nos grandes centros.
O líder sindical quer que o governo se empenhe na recuperação do salário mínimo, que, de acordo com levantamento do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), estaria hoje numa faixa de R$ 1.300 a R$ 1.400. ''É preciso elevar a renda do trabalhador gradativamente. Não queremos apenas reajuste de salário, mas correção do seu valor nominal'', explicou o sindicalista. A expectativa de Marinho é que, em 20 anos, o trabalhador possa receber seu salário nos mesmos níveis de 20 anos atrás.


