Arquivo FolhaVicentinho: apoio ao governo

SÃO PAULO - Pela primeira vez no governo Fernando Henrique Cardoso, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) tomou a iniciativa de telefonar para um ministro dando sinceros parabéns por uma medida. O secretário geral da CUT, João Vaccari Neto, falou ontem à tarde com o ministro do Trabalho, Paulo Paiva, sobre o projeto de lei que será enviado ao Congresso em fevereiro para acabar com o imposto sindical e com a contribuição assistencial, duas taxas que oneram o salários dos empregados e destinadas sustentar sindicatos, nem sempre representativos.
‘‘Dei meus parabéns ao ministro’’, disse Vaccari. O presidente da CUT, Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho, também apoiou a medida. ‘‘Desde a sua criação, a CUT defende o fim do imposto sindical’’, afirmou. ‘‘Queremos moralizar a destinação desses recursos’’. Segundo Vaccari, a CUT trabalhará por sua aprovação no Congresso, junto com a Força Sindical. O presidente da entidade, Luiz Antônio Medeiros, também declarou ontem que apóia integralmente o projeto. ‘‘Depois que o projeto virar lei só vão permanecer os sindicatos, federações e confederações que trabalham. Quem não faz nada desaparecerᒒ, disse Medeiros.
Vaccari previu, contudo, que o projeto terá forte oposição de empresários, porque os sindicatos patronais não se prepararam, como os de trabalhadores, para uma mudança de regras. ‘‘Vamos ler o projeto, conferir se não há retirada de direitos de trabalhadores embutida, e se tudo estiver bem estaremos pela primeira ao lado desse governo numa votação’’, disse o sindicalista.
A contribuição, prevista na Constituição, continuaria vigorando, de acordo com o Ministério do Trabalho, e o valor seria definido por voto secreto de trabalhadores sindicalizados ou não. Para o secretário da CUT, isso não basta para tornar a contribuição não obrigatória e sim voluntária. Segundo ele, o projeto também não deve propôr um teto - 1% do salário ao mês, por exemplo, como é usual - mas sim garantir ao trabalhador amplo poder de oposição ao desconto no seu salário.

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