Custos de produção de grãos podem anular ganhos
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quinta-feira, 24 de maio de 2007
Alexandre Inacio<br>Agência Estado 
Brasília- O aumento nos custos de produção dos grãos na próxima safra pode fazer com que os agricultores brasileiros não aproveitem a oportunidade que está se criando no mercado internacional para a soja e o milho. A tendência é que os preços dos dois produtos continuem em alta nos próximos 12 meses, puxada pela demanda dos Estados Unidos por milho para a fabricação de etanol e pela menor produção de soja naquele país.
Segundo André Pessôa, diretor da Agroconsult, com o aumento nos preços dos insumos haverá, no Brasil, uma forte disputa por áreas entre soja e milho, para saber qual cultura oferecerá o maior retorno pela mesma área, especialmente nos Estados mais ao Sul do Brasil. ''No Centro-Oeste, onde poderia haver uma expansão maior, isso acontecerá de forma pouco expressiva por causa dos problemas logísticos'', disse Pessôa ontem, durante sua apresentação do IV Simpósio Nacional Abimilho, em Brasília.
Com essa concorrência, a área de soja deverá crescer pouco e a de milho dependerá dos resultados da safra americana. ''O mercado internacional espera que a América do Sul compense a área de soja americana que está sendo substituída por milho, mas no Brasil o crescimento não será nem perto daquilo que o mercado quer'', disse o consultor. Dentro desse cenário, Pessôa acredita que os preços dos grãos deverão se manter em um patamar elevado pelos próximos 12 meses.
Apesar de a tendência dos preços ser de alta, as exportações brasileiras podem ficar comprometidas. Com o atual nível do câmbio, não tem nada que garanta que os embarques de milho alcancem o patamar de 8 milhões de toneladas, necessários para evitar uma pressão sobre as cotações no mercado interno. ''Precisamos colocar para fora do Brasil 8 milhões de toneladas, mas temos um mercado para apenas 5 milhões'', disse Pessôa. Para ele, as outras 3 milhões de toneladas terão que enfrentar a concorrência da Argentina. ''Para conseguirmos o mercado dos nossos vizinhos teremos que reduzir um pouco nossos preços'', afirma.


