- Custo Brasil 1 : O presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), César Borges de Sousa, tem projeções indicando crescimento das exportações de soja em grão e recuo das exportações dos demais itens (industrializados) do complexo soja. Indústria argentina do mesmo setor cresce com o apoio da camisa-de-força que dificulta a competitividade da indústria nacional. Apesar disso, o setor de moagem da soja brasileira apresenta crescimento e o produto continua - também em 96 - sendo o que mais gera receita em dólares que o País precisa. O setor privado fecha o ano com o dever cumprido enquanto o governo não avança na redução de tarifas portuárias, nem reage ao protecionismo dentro do próprio Mercosul. Entrevista do presidente da Abiove sai na próxima semana. Novidade é o crescimento na exportação de grãos, que não deixa valor agregado e não gera empregos ao País.
- Custo Brasil 2 : O presidente da Faep, Ágide Meneguette, compara as vantagens para importação de produtos agrícolas e as dificuldades do produtor nacional em levantar recursos para investimento. E prevê ano difícil para a comercialização porque o orçamento federal não conta com dotações para comercialização da safra. Meneguette dá vários exemplos e diz temer por novas quebradeiras, como as do trigo e algodão em 96. Em 97 o perigo ronda os plantadores de milho, segundo ele. Meneguette lembra o fracasso da Organização Mundial do Comércio, dias atrás em Cingapura, no tocante à abertura de mercado. Todos são pela globalização, mas não abrem mão de tarifas defendendo (e subsidiando sua agricultura). O Brasil aposta tudo na abertura e fulmina seus pequenos e médios produtores. E os grandes passam com água pelo mesmo, salvos pela venda antecipada da soja, que em 97 certamente não terá a mesma sorte deste ano.
- Custo Brasil 3 : O professor Ismael Mologni, de Londrina, vem à Redação e mostra a firmeza com que os japoneses defendem o comércio de arroz produzido lá. Protecionismo total na agricultura em outros países. Exemplos são dados em profusão. ‘‘Brasil tem que proteger e subsidiar sua agricultura’’, defende o professor.
- Custo Brasil 4 : O presidente da Aliança Cooperativista para as Américas, Roberto Rodrigues, em entrevista à repórter Maria Cristina Pfau, afirma: A agricultuira brasileira precisa é de igualdade de condições para concorrer com os outros países do mundo. Nós temos as taxas de juros do crédito rural mais altas do planeta, os impostos mais altos do planeta, custos portuários e de transportes dos mais caros do planeta, custos de tributação social na folha de pagamentos elevadíssimos. Nós estamos perdendo a corrida para o mercado no mundo inteiro em função da inexistência de políticas econômicas que dêem condições de concorrer. Não queremos subsídio nem proteção, apenas as mesmas condições de custo de produção que os países concorrentes têm. Entrevista de Rodrigues será publicada domingo. Agribusiness Especial.

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