Associação Paranaense de Suinocultores estima que o valor pago a muitos criadores no Estado caiu de R$ 3,80 para R$ 3 por quilo
Associação Paranaense de Suinocultores estima que o valor pago a muitos criadores no Estado caiu de R$ 3,80 para R$ 3 por quilo | Foto: Arquivo Folha


Os custos de produção de frangos de corte e de suínos tiveram em maio a 11ª queda seguida, mas os criadores afirmam que sofrem com a redução no preço pago por animal no Paraná. Com a retração principalmente no valor da ração, que corresponde a uma média de 70% dos gastos em cada cultura, o Índice de Custos de Produção (ICP) da ave caiu 26,35% em 12 meses e o do suíno diminuiu 26,94%, conforme a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) do setor. A expectativa dos produtores para 2017 era de recuperar prejuízos de anos anteriores, porém, questões políticas têm prejudicado a obtenção de resultados no mercado.

Líderes de associações de produtores paranaenses reclamam que ficaram com os maiores prejuízos na cadeia, com os desdobramentos da Operação Carne Fraca, que investiga corrupção entre fiscais sanitários e frigoríficos. Também dizem sentir os efeitos da delação de representantes da JBS sobre pagamento de propina a deputados e ao presidente da República, que criou expectativas negativas no mercado e refletiu nas relações com a indústria. Segundo eles, não houve redução no consumo ou no preço de varejo de carnes, mas apenas na remuneração dos criadores integrados ou independentes.

Em relação ao custo, o IPC de suínos oscilou 0,63% para baixo em maio ante abril. O gasto na produção do quilo do animal vivo em Santa Catarina, maior produtor nacional e usado como referência, foi de R$ 3,24. No indicador de aves de corte, a variação negativa mensal foi de 1,90% e o custo de produção no Paraná, também líder e referência na cultura, foi de R$ 2,31 por quilo de frango vivo.

Economia por escala

A nutrição dos suínos teve alta de 0,49% em maio e a das aves caiu 0,30%. Porém, por mais que seja o item com maior representatividade no custo, o diferencial em maio foi a queda no valor dos fretes para ração, de 0,53% em relação a abril. Analista da área de socioeconomia da Embrapa Suínos e Aves, Ari Jarbas Sandi afirma que por mais que os combustíveis estivessem mais caros até maio, o transporte ficou mais barato por estratégia das empresas. "Como não tinham como reduzir os gastos com diesel, estenderam o tamanho das caçambas, em uma média de 30%. É economia de escala", diz.

Para suínos, por exemplo, ele lembra que muitas empresas passaram a usar carretas com três andares, o que permite que transportem 240 animais em vez de apenas 80. Porém, como o valor do frete impacta pouco, Sandi considera que existe uma tendência de estabilização dos custos de produção. Contudo, lembra que eventuais variações na cotação do dólar podem interferir no preço dos grãos. "A taxa de câmbio no Brasil tem sido movimentada muito mais por questões políticas do que de mercado. Se for mantida, teremos estabilização", diz o analista da Embrapa.

Imagem ilustrativa da imagem Custo menor, lucro idem



Paraná

É justamente essa crise de confiança que prejudica, primeiro, os produtores. "No supermercado, o quilo da carne suína não diminuiu, mas no mercado de arroba, sim", diz o presidente da Associação Paranaense de Suinocultores (APS), Jacir Dariva. Ele considera que o valor pago a muitos criadores no Estado caiu de R$ 3,80 para R$ 3 por quilo. "Já vínhamos com algum reflexo por causa da Operação Carne Fraca e a delação da JBS aumentou a expectativa negativa no mercado", completa.

A vantagem regional, diz Dariva, é que a maior parte dos suinocultores integrados paranaenses vendem para cooperativas, o que reduz o risco de prejuízos. Porém, lembra que 20% ainda são independentes. "Tivemos bons resultados no começo do ano, em maio começou a ficar elas por elas e em junho já temos prejuízo", conta. "Se fecharmos o ano sem gastar mais do que ganhamos, já está ótimo", afirma o presidente da APS.

O presidente da Associação dos Avicultores do Norte do Paraná (Avinorte), Carlos Alberto Vallini, também reclama. "Mesmo com a baixa no preço do milho e da soja, para o avicultor piorou", diz. Ele conta que os criadores têm aprimorado os resultados, mas continuam a receber pouco mesmo com a integração, que se aproxima de 100% para frangos. "Complicou porque tem gente que não quer entregar para grandes empresas e sobra no mercado", diz. "Mas não dá para entender a conta que as empresas fazem na hora de pagar por cabeça. A Lei da Integração precisa funcionar", encerra Vallini.

Integração deve ficar mais clara

A Lei da Integração, que regula a relação entre indústria e produtores de suínos e aves, ainda está na fase de divulgação do regimento interno das Comissões de Acompanhamento, Desenvolvimento e Conciliação da Integração (Cadecs), para que então passe a ser aplicada. A boa notícia é que houve consenso entre empresas e criadores regionais neste mês, segundo a Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep).

Assessora técnica da Faep, Ariana Weiss Sera afirma que a legislação foi aprovada em maio do ano passado e que não poderia entrar em funcionamento mais rapidamente do que tem ocorrido. "Chegamos a um consenso e a proposta de regimento interno vai ser divulgada para todos, para que se tenha um método de funcionamento bom para ambos os lados", diz.

Ariana considera que há desequilíbrio na relação entre criador e indústria há mais de 30 anos. Isso porque a integração prevê que as empresas definam toda a metodologia de remuneração dos produtores, com base em metas de produtividade, de mortalidade e de eficiência no uso de ração, entre outras.

O presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Estado do Paraná (Sindiavipar), Domingos Martins, também considera que a lei tem sido implantada paulatinamente. "Acredito que levará um tempo ainda para os produtores se organizarem nas Cadecs e terem essa voz com as empresas", diz.

Porém, diferentemente dos produtores, ele afirma que há redução nos preços de frangos em supermercados, com queda no consumo. "Mais do que a crise política, existe a falta de grana, mesmo, porque continuamos com o desemprego em alta", cita Martins.

Mesmo assim, ele estima uma alta da produção de 5% para o setor no ano, a mesma registrada em maio quando comparado ao mesmo mês de 2016. Porém, no ano, a alta está em 1% na comparação entre os primeiros cinco meses, conforme o Sindiavipar. "Historicamente, o segundo semestre é sempre melhor que o primeiro e desta vez não devemos ter problemas de insumos. Vai depender do mercado interno e do externo", afirma o presidente da entidade.

mockup