Curitiba - Os problemas de logística que acontecem nos portos brasileiros, especialmente em São Luis do Maranhão, Paranaguá, Santos e São Francisco do Sul, aumentam os custos nos portos de todo o País. Isso leva uma redução no preço pago ao produtor de R$ 1 a R$ 3 por saca de soja. Um estudo realizado pela Confederação Nacional da Agricultura (CNA) em conjunto com o Ministério da Agricultura e a Associação Nacional de Exportadores de Cereais (Anec) estima que o Brasil vai produzir R$ 1 bilhão de sacas de soja neste ano, o que pode significar uma perda de R$ 1 bilhão a R$ 3 bilhões para os produtores rurais em 2007 no País.
''Estamos com os melhores preços de soja e milho mas, os produtores estão quebrados devido a problemas logísticos'', disse o coordenador da área de logística da CNA, Luiz Antonio Fayet. Ele explicou que não há como mudar a cotação dos preços internacionais dos produtos agrícolas porque depende de oferta e procura. ''O aumento do custo logístico não é repassado para o mercado internacional. Isso é deduzido do preço pago ao produtor'', destacou.
Ele explicou que há organizações privadas internacionais que calculam o risco dos sistemas portuários e de navegação, o que gera um cadastro de cada porto. Cada vez que um porto apresenta uma restrição, é informado para estas ''agências de risco''. Isso influi na formação das taxas de seguros, nos fretes marítimos, nas multas por espera de navios (demurrage) e na nomeação das embarcações. Quanto mais restrição há em um porto, mais caro os usuários deste terminal portuário pagam.
Segundo Fayet, um navio graneleiro custa US$ 2 mil por hora, seja parado ou navegando. Caso tenha uma espera adicional de 10 horas, a conta chega a US$ 20 mil. Para uma carga de 40 mil toneladas são R$ 0,50 adicionais por tonelada de custo logístico.
''Com um canal torto (Canal da Galheta) e redução de calado dos navios, reduz a carga útil do navio'', disse. Ele explicou que mesmo com a redução de carga, é cobrado pela capacidade de carga útil. Neste caso, o frete por tonelada sai mais caro. Há um acréscimo de 3% a 5% por tonelada nos custos operacionais em função das restrições dos portos.
Na última segunda-feira, a Capitania dos Portos do Paraná proibiu a navegação noturna para navios com calado a partir de 10,7 metros no Porto de Paranaguá. A Capitania informou que as restrições serão mantidas até a correção e dragagem do Canal da Galheta, que dá acesso ao porto.

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