Custo logístico sobe 14% no agronegócio
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quarta-feira, 03 de fevereiro de 2016
Fábio Galiotto<br>Reportagem Local 
Os custos logísticos de empresas de agronegócio aumentaram 14% em 2015, na comparação com 2014, de acordo com pesquisa divulgada ontem pela Fundação Dom Cabral. Na sequência aparecem o setor de alimentação, com alta de 9%, e o de indústrias automotivas, com 3%. A média foi de 1,8%, conforme o estudo, principalmente pela elevação de gastos com combustíveis em longas distâncias, precariedade da infraestrutura e ampliação de restrições a grandes caminhões em áreas centrais urbanas.
O estudo Custos Logísticos no Brasil 2015 foi feito com 142 empresas brasileiras de 22 segmentos industriais, que somam faturamento equivalente a 15% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional. No geral, o gasto aumentou de 11,52% da receita do setor para 11,73%, o que representa 0,21 ponto percentual ou 1,8%.
No entanto, em companhias com volume de vendas entre R$ 500 milhões e R$ 1 bilhão, o custo logístico subiu 30%. "São empresas que realizam transporte de longa distância, por rodovia, e dependem do diesel, por isso os custos cresceram de 2014 para 2015", diz o coordenador do Núcleo de Infraestrutura e Logística da Fundação Dom Cabral e responsável pelo estudo, Paulo Resende, em nota.
A despesa logística mais significativa para as empresas hoje é o transporte de longa distância, com 50%, seguida pelo movimento em área urbana, com 20%. Como 98% dos entrevistados afirmam que há forte dependência de rodovias, eles cobram melhorias na infraestrutura para reduzir gastos. Para 87%, a principal necessidade são melhores condições em estradas, seguidas por mudanças na cobrança do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (67%) e expansão da malha ferroviária (59%). Um dos temas debatidos pelo EncontrosFOLHA do ano passado foram os gargalos na infraestrutura logística no interior do Paraná.
PARTICIPAÇÃO PRIVADA
Em período de aumento de custos logísticos, o diretor da Dom Cabral afirma que as empresas têm optado por terceirizar os serviços de transportes, fechar centros de armazenamento e distribuição e cortar estoques, medidas que geram problemas futuros. "Ao terceirizar, a empresa transforma o que seria um custo fixo em variável. Ou seja, o custo com logística só aparece quando existe demanda. Contudo, quando a crise econômica atual acabar, essas empresas terão dificuldade em retomar suas estruturas logísticas", explica.
A solução apontada pelos empresários é a participação da iniciativa privada em obras de infraestrutura. Assessor técnico e econômico da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Nilson Hanke Camargo afirma que o Poder Público, em todas as esferas, não tem recursos para investimentos no setor. "Os custos são muito grandes e as únicas possibilidades são as PPPs (parcerias público-privadas) ou concessões. Entre ter o custo maior e não ter o serviço, o empresário prefere ter o serviço", diz.
Camargo, contudo, diz que é preciso ter uma regulamentação bem feita, para não se repetir o que ocorre nas concessões de rodovias no Paraná. "Quando se começou a privatizar no Brasil, primeiro se vendia a empresa e depois se criava uma agência reguladora. É preciso ter regulação bem feita, como em todos os países por aí", diz. Opinião que engrossa o coro dos entrevistados na pesquisa, já que 93% culpam a corrupção e 92%, a burocracia como maiores gargalos para o cumprimento de obras no País.
Para o presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas no Estado do Paraná (Setcepar), Gilberto Cantú, o maior problema no País é a insegurança para investimentos empresariais. "Como nas concessões que fizeram esses tempos atrás, uma hora a taxa de retorno não compensa, depois deixam espaço para dúvidas sobre como vai funcionar e não aparecem interessados. Tem de ter segurança jurídica e um estudo de demanda", diz.
Cantú concorda que é preciso fazer concessões e PPPs para ter resultado. "Se não fizermos isso, vamos ficar patinando, porque o governo não tem de onde pegar dinheiro para investir", completa.



