Custo leva lojista a vender ponto
PUBLICAÇÃO
domingo, 26 de janeiro de 1997
Sucursal de Curitiba 
Depois de seis meses de funcionamento, a loja Spring Flowers, no Shopping Hauer, fechou as portas. Na vitrine, apenas uma placa de vende-se e dois números de telefones. Um dos donos, que não quer ter o nome divulgado, diz que a colocação da loja à venda se deve apenas à crise na economia brasileira. Ao lado da Spring Flowers, há outras quatro salas para vender ou alugar. O shopping tem 36 lojas.
O dono da loja diz que tudo o que a empresa faturava por mês, gastava com o aluguel e com o condomínio do shopping. Ficou complicado manter a loja aberta nestas condições. Estávamos trabalhando para os outros, admite o comerciante. Ele pagava um alguel de pouco mais de R$ 1 mil e um condomínio de R$ 300.
Para o comerciante, os valores não eram altos se comparados com outros shoppings. Ele diz ainda que uma já ouviu a dona da franquia no Shopping Crystal reclamar da quantia de sonhos - seu principal produto - que precisa vender para conseguir pagar as despesas. Ela tem de vender 300 sonhos por dia para pagar o custo operacional, diz o comerciante.
O lojista Léo Wahrhaftig também colocou o ponto à venda no Shopping Novo Batel. Mas ele garante que não se trata de nenhuma crise financeira. Tenho 70 anos e chegou a hora de me aposentar, diz Wahrhaftig. Ele anuncia a venda da loja há seis meses e ainda não encontrou comprador. Wahrhafitg não acredita que uma loja dentro de um shopping custe mais caro que uma na rua.
Para ele, tudo depende da estrutura da loja. O custo tem de ser comparado com o benefício, afirma. Ele lembra que uma loja fora de um shopping tem gastos individuais com segurança e limpeza. Além disso, tem uma circulação menor de clientes. Wahrhaftig diz que teve lojas em shopping e no centro da cidade. Ele garante que nunca precisou repassar o custo do shopping para o preço dos produtos. (C.M.)


