Kraw PenasConsumidor verdeSchlichi: consumidor dará preferência ao suco cuja produção ‘‘agrediu menos’’ o ambiente Além dos itens produtividade e qualidade dos produtos como fatores básicos para a participação no mercado globalizado, surge outro fator que vai determinar a preferência do consumidor. Trata-se do custo ecológico durante a fase de produção, que provoca impactos no meio ambiente. Esse custo já vem sendo aferido através de um método especial em alguns bens duráveis como a ‘‘geladeira ecológica’’, por exemplo. Mas recentemente esse método está sendo transferido para os alimentos industrializados.
O primeiro produto que está sendo testado em relação ao custo ecológico é o suco de laranja industrializado. Para coletar informações sobre as condições de produção do suco no Brasil e falar sobre suas pesquisas o professor Elmar Schlichi, chefe do Departamento de Nutrição e Engenharia de Processos da Universidade de Justus-Liebig, em Giessen, na Alemanha, esteve em Curitiba participando de um encontro com professores da área de alimentos da PUC e da UFPR.
Dióxido de carbono O professor Schlichi explica que custo ecológico é medido pelo volume de dióxido de carbono emitido no meio ambiente durante as várias fases de produção. No caso do suco de laranja, o custo começa a ser medido desde o plantio da laranja se é mecanizado ou não, o processo de industrialização, evaporação da água para conseguir o suco concentrado, o gasto de óleo diesel do navio que leva o produto até o destino final, as câmaras frias utilizadas para manutenção dos produtos nos pontos de venda até a embalagem utilizada e ser descartada pelo consumidor final.
Ele diz que não tem informações precisas sobre o custo ecológico da laranja produzida no Brasil, mas acredita que é baixo, comparando com países tradicionais como Espanha, China e Estados Unidos. Destacou que tem todos os custos computados do porto de Santos até o porto de Roterdan na Holanda.
Schlich calcula que o suco concentrado que sai do Brasil e vai ser diluído em seis vezes na Alemanha consome uma energia avaliada em 0,5 kw/hora em cada litro de suco pronto. A partir da emissão de poluentes o impacto ambiental medido para produção de um litro de suco é de 150 gramas de dióxido de carbono, lançadas no meio ambiente. Ele admite uma variação de 10% sobre esses cálculos. Para reduzir a emissão de poluentes na atmosfera durante a fase de produção e distribuição do suco de laranja concentrado, Schlich está desenvolvendo pesquisas na mesma linha utilizada para a fabricação da geladeira ecológica. Ou seja o gás CFC (clorofluorcarbonados) são substituídos por gás Butano, que reduz o dióxido de carbono lançado no ambiente.

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