O aumento do custo de produção do milho para a safra 2000/2001, que varia de 8,7% a 10% de acordo com os diferentes sistemas de plantio, está preocupando os produtores. Eles esperavam que, com a escassez do produto verificada neste ano, a rentabilidade com a cultura fosse animadora, mas o preço dos insumos, principalmente do combustível, está pondo em risco esta possibilidade.
Com o aumento do custo de produção no mercado interno e a redução do preço do milho no mercado internacional, a produção brasileira acabe perdendo competitividade, avaliou Jorge Proença, assessor econômico da Federação da Agricultura do Paraná (Faep). Só o aumento no preço do combustível está representando cerca de 8% no custo de produção de milho, provocando um impacto muito alto no setor, acrescentou.
Outra preocupação dos produtores, segundo Proença, é que a área plantada com milho nesta safra aumentou muito, em torno de 15% devendo atingir 1.776.000 hectares, segundo o Departamento de Economia Rural (Deral). Se o clima se mantiver normal, isso vai resultar num excesso de oferta nos primeiros 60 dias da colheita, quando o preço do grão pode despencar. ‘‘O produtor não terá condições de segurar a produção porque terá obrigações financeiras a cumprir’’, argumentou.
O custo variável de produção do milho no sistema de plantio direto, que nessa safra vai atingir 52% da área plantada, está aumentando 8,7% em relação à safra passada, passando de R$ 6,21 para R$ 6,75 a saca. A engenheira agrônoma Rossana Catiê Bueno de Godoy ressalta que a produtividade, nesse sistema, é mais alta, em torno de 6 mil quilos/ha, que influencia no resultado final do custo de produção. O custo variável atinge basicamente o custo dos insumos, que é o que realmente o produtor tem que desembolsar para implantar a cultura.
Já o custo total, no sistema de plantio direto que inclui o custo da mão-de-obra, a depreciação das máquinas e o custo da terra e insumos, está aumentando 9,5%, passando de R$ 8,80 na safra passada, para R$ 9,63 a saca na atual safra.
No sistema de plantio convencional, em que a produtividade média é de 4.200 quilos por hectare a elevação do custo variável é de 9%. O custo de R$ 6,9 por saca na safra passada, aumenta para R$ 7,5 por saca. O custo total aumenta de R$ 10,60 a saca pra R$ 11,60, uma elevação de 10%. Contribuiram para essas variações, o aumento de 16% com as despesas de combustível e manutenção das máquinas, 22% no preço das sementes e 7% no preços dos fertilizantes.
Com esses custos, o lucro vai depender das condições de negociação do milho que está sendo plantado, avaliou Catiê. Segundo ela, como nos custos de produção, o lucro também está variando bastante, desde um desempenho negativo até a outra ponta, onde a produção em escala e produtiva proporciona uma alta rentabilidade. Em relação ao preço atual do milho, de R$ 11,47 para o produtor, a renda obtida no custo variável (PD), de 71%. Já o custo total, no mesmo sistema, a rentabilidade cai para 20%. No plantio convencional, a renda sobre o custo variável é de 53% e -0,9% no custo total.

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