Custo do trabalho tem maior alta em 11 anos
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sábado, 23 de fevereiro de 2013
Marcelo Rehder <br>Agência Estado 
São Paulo - O custo do trabalho na indústria brasileira teve aumento recorde em 2012, mesmo com recuo no emprego e todas as medidas de política econômica para incentivar o setor adotadas pelo governo federal ao longo do ano. A alta foi de 6,6%, de acordo com o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi). Foi a maior taxa de crescimento nos 11 anos da série histórica da pesquisa da entidade e mais que o dobro da verificada em 2011, que ficou em 3,2%.
O salto no custo do trabalho é resultado da combinação da queda na produtividade de 0,8% (segundo pior resultado desde 2002, só superado pela retração de 2,2% em 2009) com o aumento médio real nos salários de 5,8%, já descontada a inflação.
''A produtividade é o principal determinante da competitividade da indústria, tanto no mercado interno como no exterior'', diz o economista Daniel Keller, consultor do Iedi. São os ganhos de produtividade que permitem às empresas absorver aumentos de custos, inclusive o de salários, sem repassá-los aos preços.
Em linhas gerais, a produtividade é medida pela capacidade que uma empresa ou setor da economia tem de produzir mais com a mesma quantidade de um determinado insumo, que no caso do estudo do Iedi é representado pela mão de obra. Nos três últimos anos, essa equação tem sido desfavorável para a indústria brasileira.
A baixa produtividade na indústria brasileira é fruto da falta de investimento das empresas em pesquisa e desenvolvimento, dos graves problemas de infraestrutura e logística e da estrutura tributária complexa e confusa, entre outros fatores do chamado custo Brasil. ''O câmbio também é extremamente relevante'', ressalta o consultor do Iedi.
A questão é que a produtividade sempre cai em anos em que a economia cresce abaixo do potencial, observa Bráulio Borges, economista-chefe da LCA Consultores. ''A indústria e outros setores empregadores não demitem trabalhadores na mesma proporção da queda da produção por causa dos custos de demissão e da contratação, quando a economia voltar a crescer. Eles ainda são elevados no Brasil principalmente porque falta mão de obra qualificada.''
No ano passado, o emprego caiu 1,4%, enquanto a produção recuou 2,7% e as horas pagas, 1,9%. Em 2011, o emprego havia crescido 1% com a produção estagnada. ''Se não houvesse nenhuma rigidez no mercado de trabalho e não fosse difícil encontrar mão de obra qualificada e nem tivesse nenhum custo para treinar essa mão de obra, a indústria teria demitido muito mais trabalhadores nesse biênio para manter o nível de produtividade que ela tinha antes'', diz Borges.
Aquecimento
Mesmo com uma produção fraca, a indústria está tendo de conceder aumento real de salários, justamente para não perder trabalhadores treinados para outros setores da economia, principalmente o de serviços. ''Os acordos salariais nos levaram a dar praticamente 4% acima da inflação em 2012, naquilo que o pessoal dos sindicatos chama de aumento de produtividade. Só que a produtividade não existiu'', queixa-se o empresário Corrado Vallo, sócio da Omel, fabricante de bombas e compressores industriais de São Paulo.
Para especialistas, a elevação do custo do trabalho se deve também ao aquecimento no mercado de trabalho, provocado pelo aumento da demanda, cada vez mais estimulada pelo governo. Além de aumentos reais de salários, vários outros fatores encarecem a mão de obra para as empresas, como a grande quantidade de obrigações trabalhistas. A política de valorização do salário mínimo também tem pressionado os salários.
Para empresas como a cearense M Dias Branco, líder nos mercados de biscoitos e massas alimentícias, no entanto, o aumento do custo do trabalho também significa aumento de demanda. ''Nossas vendas têm crescido bastante, porque o aumento do salário mínimo ampliou o poder de compra, principalmente no Nordeste'', diz Geraldo Luciano Mattos Júnior, vice-presidente de investimentos e controladoria da empresa.


