Betânia Rodrigues
De Londrina
Especial para a Folha
Antes de aderir ao gás natural, os industriais da região de Londrina preferem esperar que a Companhia Paranaense de Gás (Compagás) divulgue a projeção de custos do produto para também fazer as contas e saber se a troca é financeiramente viável. Esta é a posição de quatro empresas da região de Londrina em relação ao projeto do gasoduto no Norte do Paraná.
A Cia. Cacique de Café Solúvel é uma das 17 empresas londrinenses que apóia a idéia. Para gerar energia, a indústria utiliza anualmente 7,5 mil toneladas de óleo combustível e 15 mil toneladas de borra de café por ano. Para ela, a troca pelo gás só compensaria financeiramente se o gasto ficasse abaixo de R$ 2,25 milhões/ano, valor utilizado hoje na compra do óleo combustível.
‘‘Por enquanto, a vantagem do gás natural resume-se à redução na emissão de gases poluentes e aumento na performance energética’’, afirma o gerente de engenharia de projetos da Cacique, José Branco Delgado. De acordo com ele, a queima do óleo elimina grande quantidade de enxofre na atmosfera que, misturado ao vapor d’água, pode provocar chuvas ácidas.
Na Paranatex e Indústria Têxtil de Apucarana a substituição da lenha pelo gás só seria interessante se melhorasse a qualidade dos tecidos. ‘‘A oscilação na geração de calor com a lenha pode interfirir no produto final. Acredito que com o gás essa possibilidade inexistiria’’, diz o diretor comercial das empresas, Felipe Alexandre Felipe Neto.
A Dori Alimentos Ltda, com filial em Rolândia, é outra cliente potencial do gasoduto. Para produzir balas e pirulitos, a empresa consome 1.195.718 quilos de óleo xisto e 140 mil litros de diesel por ano. Segundo o gerente de manutenção, Jairo De Conti Pereira, o xisto é menos poluente que o óleo combustível, mas nesse quesito ainda perde para o gás natural. ‘‘Se a questão dependesse unicamente das vantagens ambientais, a adesão ao gás seria a mais correta para boa parte das indústrias. No entanto, precisamos considerar o custo que essa troca representarᒒ, pondera.
Apesar de gastar pouco com o resíduo de madeira usado para esquentar suas caldeiras, a Pennacchi Indústria de Produtos Alimentícios Ltda vê a oferta do gás natural apenas como uma alternativa de consumo. A indústria fica em Arapongas, principal pólo moveleiro do Estado. A proximidade com o fornecedor barateia a energia, item essencial na produção das cerca de 15 milhões de balas e pirulitos/dia.
‘‘A Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) apóia a iniciativa e se ela for realmente benéfica para o segmento podemos ajudar no esclarecimento e promoção do gás’’, disse o vice-presidente da entidade, Francisco Marcos Pennacchi, que também é diretor financeiro da indústria de Arapongas.
É consenso entre esses executivos que a adaptação das caldeiras ao gás natural não seria cara nem difícil. A única dúvida recai sobre o valor unitário do produto, que segundo a assessoria de imprensa da Compagás, ainda não pode ser estabelecido. Isto porque o gasoduto Brasil-Bolívia só entrará em funcionamento no Paraná em março. Ele é um dos três possíveis fornecedores do gás para a região avaliados pela Companhia, responsável pelo projeto da rede de distribuição. Uma fonte argentina e o gasoduto de Pitanga são as outras duas alternativas em estudo pela Companhia.

CLIENTES POTENCIAIS
Empresas de Londrina, Maringá, Arapongas e Rolândia interessadas no uso do gás natural
- Cia. Cacique de Café Solúvel
- Eliane Pisos
- Ipasa Indústria de Papel Apucarana S/A
- Itap Benis ltda
- Elevadores Atlas S/A
- Herbitécnica Indústria de Defensivos S.A
- Cooperativa Central Agro-industrial ltda - Confepar
- Paranatex Indústria Têxtil ltda
- Dixie Toga
- Rondopar Chumbo e Derivados ltda
- Irmãos Balan e Cia ltda
- Tamarana Metais ltda
- Rondopar Chumbo e Derivados ltda
- Selmi e Cia ltda
- Cooperativa Agropecuária de Londrina ltda - Cativa
- Braswey S/A Indústria e Comércio ltda
- Comércio e Indústrias Brasileiras Coinbra S/A
- Mela - Metalúrgica ltda
- Itimura Têxtil S/A
- Maximiliano Gaidzinski S/A Indústria de Azulejos
- Riesa Vidraria e Móveis Tubulares
- Nutriara Produtos Agrícolas ltda
- Kowalski Alimentos ltda
- Cotam - Rolândia
- Itamaraty Indústria e Comércio S/A
- Acumuladores Reifor ltda
- Comaves Indústria e Comércio de Alimentos
- Hussmann Fast Frio do Brasil ltda
- Companhia Lorenz
- Caramuru I Indústria e Alimentos de Milho
- Caramuru II Indústria e Alimentos de Milho
- Produtos Alimentícios Arapongas S/A - Prodasa
- Cooperativa Dativa Integrada
- Agropecuária Spaciari
- Empresas Apucarana
- Rank Pneus ltda
- Frigorífico King Meat do Brasil ltda
- Provimi S/A Nutrição Animal
- Apucacouros Indústria e Exportação de Couros ltda
- Empresas Arapongas
- Penacchi Indústria de Produtos Alimentícios ltda
- Indústria de doces Relâmpago ltda
- Big Frango Indústria e Comércio de Alimentos ltda
- Big Frango – Rolândia
- Frango a Gosto
- Dori Indústria e Comércio de Produtos Alimentícios ltda
- Docepar
- Eletran Indústria e Comércio de Acumuladores
- Indústria, Comércio e Preparação de massas Jandaia
- Segurança de Armazéns Gerais ltda
- Alpes Óleo Química ltda
- Nortox S.A
- Pneu Melo Comércio e Vulcanização de Pneus ltda
- Acumuladores Pulsar
- Cooperativa Agropecuária de Rolândia ltda - Corol
- C.S. Pesquisa e Participações Industriais ltda
- Indústria Têxtil Apucarana ltdaEmpresas têm interesse na alternativa energética, mas receiam que a troca não seja viável
Cesar AugustoECOLÓGICOJosé Branco Delgado, gerente de engenharia de projetos da Cacique: ‘‘Por enquanto, a vantagem do gás natural resume-se à redução na emissão de gases poluentes e aumento na performance energética’’

mockup