Custo do frete pode subir até 105% no Paraná, segundo Faep
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terça-feira, 26 de junho de 2018
Magaléa Mazziotti<br>Reportagem Local 

Curitiba - O custo do frete no Paraná poderá aumentar de 51% a 105%, caso a MP(Medida Provisória) 832, que trata do tabelamento dos preços passe a valer. É o que mostra estudo realizado pelo Detec (Departamento Técnico Econômico) da Faep (Federação da Agricultura do Estado do Paraná). O levantamento analisou o impacto econômico do tabelamento em três trechos de escoamento de produção no Estado. A variação de 51% a 105% se aproxima da projeção feita pela CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil) de que, na média nacional, o custo do frete rodoviário deve aumentar 40% com o tabelamento.
Segundo a engenheira agrônoma e assessora técnica do Sistema Faep, Ana Paula Kowalski, além do inevitável aumento no custo de toda a cadeia produtiva, a medida gera distorções. "Cada elo da cadeia produtiva está sujeito às oscilações de mercado, tendo um desses elos regulado fica desigual, compromete a livre negociação e aumenta a incerteza jurídica das negociações, fazendo com que o problema de quem faz o transporte não tenha uma solução e refletindo em mais prejuízos para todos", aponta.
Na avaliação do economista Lucas Dezordi, o comprometimento do livre mercado já se inicia com o próprio monopólio da Petrobras da prospecção e refino. "Um mercado mais concorrencial, diferente do que acontece hoje tanto na parte do refino, quanto das distribuidoras, evitaria as distorções que motivaram a greve. O ideal é sempre criar um ambiente mais concorrencial e transparente no custos e na livre formação de preço, por isso que o tabelamento também não funciona", defende.
PROJEÇÃO
No estudo chamado de "Balanço e perspectivas para a agropecuária: efeitos pós-greve dos transportadores e a política de tabelamento de fretes" do Detec/Faep foi avaliado o fretamento nos municípios de Cascavel, Maringá e Ponta Grossa com destino ao Porto de Paranaguá, com a finalidade de exportação. Para os cálculos, foi considerado o uso de um caminhão bitrem sete eixos com capacidade de 38 toneladas e a obrigatoriedade de pagamento do frete de retorno, responsabilidade imputada pela ANTT (Agência Nacional de Transporte Terrestre). Também se considerou o pedágio pago de cada municípios de origem e o desconto nas tarifas de pedágio para os eixos suspensos, também previsto na resolução.
O gasto logístico do trajeto Cascavel-Paranaguá ultrapassa o dobro do fretamento pago antes da greve com o tabelamento, chegando a 105,3%. No trajeto Maringá-Paranaguá o aumento é de 98,9% e na rota Ponta Grossa-Paranaguá, 51,3%.
Nesta quinta-feira (28) ocorre a segunda audiência entre setor produtivo e representantes do governo e caminhoneiros no STF (Supremo Tribunal Federal) a respeito da Medida Provisória 832. O caso está sob cuidados do ministro Luiz Fux, que analisa três ADIs (ação direta de inconstitucionalidade) referentes à MP.
MERCADO TRAVADO
A engenheira agrônoma e assessora técnica do Sistema Faep, Ana Paula Kowalski, chama atenção para o fato de que enquanto seguir o impasse sobre o tabelamento do frete, o mercado segue travado. "Salvo quem tem contratos de longo prazo, os produtores estão em compasso de espera por não conseguirem negociar sem essa definição do frete, com receio de multas ou arcar com um custo muito além do valor travado com os compradores, que negociam conforme o preço praticado no mercado internacional."
Ela também explica que a safrinha de milho já começou a ser colhida e nas próximas semanas o produtor estará ainda mais pressionado para realizar entregas e escoar a produção. "O custo desse impasse vem para todos, já que impacta desde a ração animal, até os gastos a mais com armazenagem e a perda de oportunidades de negócios pela incerteza do frete", comenta.
No caso específico do leite, o consumidor já sente o reflexo nos preços praticados porque durante os dias de greve a oferta do produto foi comprometida. "Desregulou totalmente a oferta no mercado. Mas outros produtos ainda estão por refletir os desdobramentos de todo o aumento de custo que as cadeias produtivas sofreram com a pane logística."


