O custo do capital para empresários que querem investir em solo verde amarelo é um dos fatores que mais pesam negativamente na competitividade do Brasil, segundo ranking da Confederação Nacional da Indústria (CNI) publicado nesta semana. Na comparação entre 15 nações com semelhantes características econômico-sociais ou posicionamento no mercado internacional, os juros reais e o spread bancário do País não apenas são os maiores, mas chegam a custar três vezes mais do que a do segundo pior concorrente.
A Colômbia, 14ª colocada em ambos os quesitos, tem 3,2% de taxa de juros real de curto prazo e 6,2% de spread bancário, que é a diferença entre a taxa de empréstimo cobrada por instituições financeiras e a rentabilidade de aplicações para correntistas. Respectivamente, os índices são de 9,7% e 19,6% no Brasil. A CNI usou o ano de 2013 como referência.
Assim, o spread bancário entre o custo do capital para o empresário que quer investir na atualização de tecnologia ou na ampliação da linha de produção e o quanto os bancos pagam para os correntistas era em 2013 três vezes a dos colombianos, seis vezes a dos sul-africanos, nove vezes a dos argentinos e 49 maior do que a dos espanhóis, conforme a CNI. O peso é tamanho que o efeito negativo do custo do capital jogou o País para a rabeira no quesito "Disponibilidade e custo de capital" na pesquisa, ao sobrepor o desempenho dos subfatores disponibilidade de capital, no qual foi nono, e sistema financeiro, em que ficou em sexto.
Presidente do Sindicato dos Economistas de Londrina, Ronaldo Antunes afirma que o motivo é porque o Brasil mantém alta demais a taxa básica de juros, a Selic, e a União é a maior tomadora de crédito. "Como o risco de inadimplência é menor na compra de títulos da dívida pública do que no empréstimo a pequenos empresários, os bancos preferem ter o governo como cliente", diz.
Por isso, a disponibilidade de crédito ainda depende muito de entidades como Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), explica o economista Luciano D’Agostini, que integra o Grupo Macroeconomia Estruturalista do Desenvolvimento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). "A participação de bancos públicos no sistema financeiro é de mais de 50%", afirma.
Porém, isso significa que o governo toma empréstimos por juros mais altos do que cobra dos empresários, política que deve cair em desuso, conforme declarações do novo ministro da Fazenda, Joaquim Levy. "Enquanto o governo não fizer uma reforma fiscal, que coloque as despesas abaixo do valor arrecadado e que gere superavit primário, não será possível diminuir o número de empréstimos públicos para que os bancos ofereçam juros menores", diz Antunes.
Ainda, o presidente do sindicato diz que o tamanho do PIB, da taxa básica de juros e o fato de os títulos públicos serem de curto prazo dificultam. "Uma chance é reformatar a parte contratual de títulos públicos e chamar os grandes credores do País e os banqueiros, para que renegociem e para que os juros abaixem", completa D’Agostini.

Risco alto


D’Agostini considera ainda que parte do custo do capital também se deve à indexação de contratos à inflação, que já foi galopante durante os anos de 1980. "A inflação caiu nos últimos 15 anos, mas o mercado financeiro ainda tem uma memória longa e a renda baixa e o endividamento alto também encarecem o capital no Brasil", diz. "O interessante é que temos um sistema bancário moderno e mesmo assim (bancos) demandam uma rentabilidade alta, o que deve ocorrer porque em algum momento não se pagou o que deveria", concorda Antunes.

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