Curitiba – Os alimentos e os preços administrados foram os principais responsáveis pela inflação de 5,9% registrada em Curitiba no ano passado, de acordo com o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) divulgado ontem pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes). A taxa está quase um ponto percentual acima do previsto para este ano. Mesmo assim está abaixo da média nacional em 2001, calculada em 7,67% pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que leva em conta a mesma renda familiar do IPC, de 1 a 40 salários mínimos.
O grupo alimentos e bebidas teve alta de 8,73% em 2001 e foi o que mais contribuiu para a alta do IPC. Os itens desse grupo com maior influência no bolso do consumidor foram o pão francês, com alta de 25,84%, o feijão preto (155,66%) e o arroz (47,22%). A variação do pão ocorreu por causa do aumento do preço do trigo, que é importado e por isso sofreu pressão da alta do dólar, e a do feijão e do arroz por causa de quebra de safra.
Os chamados preços administrados, como tarifas de energia elétrica, água e esgoto, combustíveis e telefonia foram responsáveis por 26% de todo o IPC em 2001. Segundo o técnico do Ipardes, Gino Schlesinger, esses preços foram o vilão da inflação. ‘‘Quando o câmbio estorou esperávamos que influenciasse bastante o índice, o que não ocorreu. Foram os preços administrados que mais pressionaram’’, disse.
Considerando apenas o mês de dezembro, a inflação teve alta de 0,64%. O aumento da taxa de água e esgoto pela Sanepar, em 12,74% foi o item que mais contribuiu para o IPC do mês. Em seguida ficaram o valor de condomínio, que aumentou 3,66%, e o veículo usado, com 1,25%.
Na avaliação do diretor-presidente do Ipardes, Paulo Mello Garcias, a inflação de 5,9% em 2001 ‘‘foi bastante aceitável’’. Segundo ele, a economia brasileira dá sinais de estabilidade, e por isso a inflação neste ano deve ser menor do que no ano passado. ‘‘O orçamento público está relativamente controlado e o sistema de câmbio livre está estável. A questão argentina ainda pode trazer algum impacto, mas a tendência é de estabilidade nos preços’’, avaliou.

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