São Paulo Boa parte da taxa de inflação registrada nos dois últimos meses tem como origem reajustes preventivos de preços, mas não se pode descartar totalmente a existência da demanda como componente importante na elevação dos preços. A avaliação é do economista-chefe do ABN Amro Bank, Mário Mesquista. ''O que não há é uma demanda no sentido clássico, em que todos os setores pressionam por reajustes, mas se as pessoas não estivessem comprando não haveria espaço para aumentos de preços'', diz.
O economista também cita as parcelas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), pagas ao trabalhador como compensação das perdas nos Planos Collor e Verão, que foram usadas para reduzir a inadimplência, o que abriu espaço para um novo ciclo de consumo. A situação só não está pior porque ocorreu também um aumento da demanda agregada, que acaba reduzindo um pouco o poder de compra do consumidor interno, explica Mesquita.
Por isso, diz economistas, o aumento da taxa de juros terá como função principal arrefecer as expectativas que estão levando aos reajustes preventivos de preços e o ímpeto das empresas em recompor margens.

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