Custo de vida em Curitiba sobe 3,16%
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sexta-feira, 20 de dezembro de 2002
Rosana Félix<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A inflação em Curitiba continuou subindo no início de dezembro e com bastante fôlego. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA-15) na cidade atingiu 3,16% no período de 12 de novembro a 9 de dezembro. A taxa anterior (meados de outubro a 11 de novembro) foi de 2,23%. Os alimentos continuam sendo os principais responsáveis por essa alta: subiram 5,66%, mais do que no período anterior (5,08%). Os dados foram divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O IPCA-15 nacional ficou em 3,05%, também impulsionado pelo aumento dos alimentos (5,60%). Os agentes financeiros estimavam uma variação menor. De acordo com o economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), Cid Cordeiro, a inflação do ano pode fechar em 13%, quase um ponto percentual a mais do que o esperado. ''Se esperava uma inflação do mês de dezembro de 1,5%, mas dificilmente será apenas isso, por causa das variações sentidas no início do mês'', afirmou.
Entre os alimentos que mais subiram estão o de hortaliças e verduras (18,58%), açúcares e derivados (16,44%); aves e ovos (13,05%) e óleos e gorduras (9,23%). O grupo de transportes também pressionou o IPCA-15 em Curitiba, com variação de 4,50%, principalmente pelo aumento do álcool (14,46%) e pelos reflexos do aumento da tarifa de ônibus. O custo de habitação subiu 2,66%; o de artigos residenciais, 2,18%; vestuário, 0,55%; saúde e cuidados pessoais, 1,56%; e educação, 0,17%. O único grupo que não teve alta de preços, mas nem redução, foi o de comunicações, que permaneceu estável no período.
Segundo Cordeiro, a elevação de 3 pontos percentuais na taxa básica de juros, autorizada pelo Banco Central na quarta-feira, só deve surtir efeitos nos preços coletados em janeiro. ''O governo quer sinalizar para o mercado que quer manter a inflação em um patamar baixo'', avaliou. Segundo ele, o primeiro semestre é marcado pela redução de preços dos alimentos e pela baixa intensidade da atividade econômica. ''A partir de janeiro, depois que passar toda essa fase de consumo, esses fatores, aliados aos juros altos, podem manter a inflação em baixa'', acrescentou.


