Custo de produção na China é inferior ao brasileiro
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sábado, 07 de abril de 2007
Cleide Silva<br>Agência Estado 
São Paulo - Em dez anos, a China deve ser a maior consumidora de carros, ultrapassando os EUA, onde as vendas hoje chegam a 17 milhões de unidades. O país asiático tem grande potencial para veículos de baixo custo. Do mercado de mais de 7 milhões de veículos, 11% são de modelos que custam menos de US$ 5 mil (cerca de R$ 10 mil) e 34% de US$ 5 mil a US$ 10 mil (até R$ 20 mil).
Quando esses modelos começarem a chegar ao Brasil, ainda que acrescidos de impostos, a indústria nacional será confrontada. ''Acredito ser possível enfrentar a ameaça melhorando nossa produtividade e competitividade'', diz o presidente da General Motors, Ray Young.
Cada montadora, à sua maneira, está intensificando programas de melhorias. A GM, que aplica o que chama de GMS (Sistema Global de Manufatura) reduziu de 36 para 20 meses o tempo de desenvolvimento de novos produtos. A empresa pretende reduzir de US$ 1.300 para US$ 900 o custo de produção de cada carro em São Caetano do Sul (SP), valor que exclui materiais. Na China, há empresas com custo de manufatura equivalente a US$ 170, valor três vezes inferior ao menor custo brasileiro, informa o executivo.
A Ford conseguiu aval da matriz nos EUA para produzir um novo compacto, que será lançado no fim do ano, após acordo com funcionários e fornecedores de autopeças, que resultou em custo em média US$ 100 mais baixo por carro fabricado em São Bernardo do Campo.
Ainda assim, produzir no ABC paulista é mais caro que em outros Estados, principalmente em mão-de-obra. ''Muitas empresas se deslocaram para regiões de menor custo'', diz José Eugênio Pinheiro, vice-presidente da General Motors. ''Apesar de não tão evidente quanto o europeu, o movimento é significativo para o País.''
São Paulo respondia por 70% da produção de veículos no Brasil há uma década. Hoje, fica com 45,8%. A GM escolheu o Rio Grande do Sul para a nova fábrica, mesmo Estado que deve ser eleito pela Toyota para produzir um carro compacto. Volkswagen e Renault foram para o Paraná, a Ford para a Bahia e a PSA, para o Rio.
No mundo globalizado, as companhias vão escolher locais mais baratos para suas fábricas. O presidente da Volkswagen do Brasil, Thomas Schmall, confirma que há concorrência entre as filiais para fazer uma família de carros de baixo custo. Ele assumiu o comando em janeiro, depois de dirigir a fábrica da Volks na Eslováquia, uma das mais rentáveis entre as 42 unidades do grupo no mundo.


