O agricultor Adão Lopata, sediado no município de Lapa (71 km a oeste de Curitiba), é um dos seguidores do chamado 'efeito manada'. Este ano, ele plantou metade da área cultivada com feijão na safra passada e aumentou o espaço da soja. ''Existe muito produtor pequeno plantando e o mercado não está interessante'', explica.
Lopata disse que ainda não desistiu do feijão porque essa cultura tem uma função social. Sua estimativa é contratar entre 70 e 100 pessoas para colher o produto plantado em 25 hectares. Para ele, a rentabilidade é o fator decisivo na escolha da lavoura. ''A soja é mais fácil de cuidar e mais lucrativa'', resume o produtor que já vendeu 10% da produção da soja a US$ 11 a saca de 60 quilos.
Ao contrário dele, o agricultor de Lerrovile (distrito de Londrina) Hideo Komura ampliou a área de feijão. A justificativa é a rotatividade de culturas planejada com um ano de antecedência. ''Depois que colher o feijão planto o milho e na sequência substituo por trigo ou aveia branca'', adiantou.
A queixa em relação ao custo de produção é um ponto comum a ambos. De acordo com Lopata, fertilizantes, herbicidas e fungicidas subiram de preço, no mínimo, 60%. ''Paguei R$ 19,00 no saco de 50 quilos da uréia no ano passado e desta vez comprei por R$ 40,00''. Somando todos os gastos, ele diz que gastou R$ 3 mil por hectare, incluindo o aluguel da terra. Komura não tem essa despesa, mas garante que os produtos quimícos que utiliza aumentaram, no mínimo, 15%.

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