Custo de produção de grãos cresce 15%
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terça-feira, 13 de julho de 2004
Carolina Avansini<br>Reportagem Local 
Produtores rurais vão pagar mais caro pelos principais insumos utilizados no plantio da safra de verão. Levantamento feito pelo Sindicato e Organização das Cooperativas Paranaenses (Ocepar) revela que o custo total de produção das principais culturas deve aumentar 15% neste ano. A informação é do engenheiro agrônomo Luciano Gonçalves, assessor técnico econômico da entidade.
Ele afirmou que as cooperativas estão em plena campanha de vendas. ''Setenta por cento dos insumos são vendidos antecipadamente. A alta já se configurou'', analisou. Sementes, fertilizantes e defensivos registram os principais reajustes. ''A evolução de preços é desproporcional à valorização das commoditties'', disse. Nos últimos 12 meses, a cotação da soja aumentou 14%, enquanto o milho subiu 17%.
A engenheira agrônoma Margorete Demarchi, do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento (Seab), informou que, em maio deste ano, em comparação ao mesmo período do ano passado, as sementes de soja subiram 16%. No caso do milho, o aumento médio foi de 34%.
No setor de fertilizantes, o calcário acumula alta de 16%, com a tonelada comercializada a R$ 52,00. A uréia subiu de R$ 821,00 para R$ 913,00 por tonelada, com alta de 11%. Duas das formulações mais comuns de NPK, a 0-20-20 e a 5-20-20, aumentaram respectivamente 11% e 15%, com preço final de R$ 730,00 e R$ 792,00 por tonelada.
Os defensivos também custam mais. Em média, os inseticidas subiram 13% e os fungicidas, 12%. A maior variação foi registrada nos herbicidas, que valorizaram 22% no período.
Outro segmento que acumula altas é o de máquinas agrícolas. Segundo Gonçalves, o setor registra reajustes significativos nos preços desde 2002, quando o índice de aumento nos preços foi 25%. Em 2003, as máquinas subiram 31%. Neste ano, a alta média variou entre 15% e 20% com relação ao ano anterior, mas o número ainda não é definitivo.
O técnico afirmou que o setor produtivo foi pego de surpresa por todas essas altas. Para ele, as variações são maiores que o aumento no custo das indústrias. Esse cenário, analisa, resultará em queda de renda para o produtor. ''A consequência é que a geração de riquezas no campo será reduzida, com reflexo na economia das cidades.''
Em uma das pontas da cadeia, o produtor Ivo Boscheroli, de Cascavel, já fez suas compras de fertilizantes e se assutou com os preços. ''Paguei 30% a mais'', disse ele, que antecipou as compras para se proteger de novas altas. De olho no comportamento do mercado da soja, ele teme o crescimento no custo de produção. ''Vai ser difícil absorver, porque o preço da soja está em queda'', lamentou.


