Custo das passagens aéreas cai pela metade
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sexta-feira, 18 de janeiro de 2013
Karine Melo<br>Agência Brasil 
Brasília - Nunca foi tão barato viajar de avião. Considerado em passado recente um luxo para poucos, as viagens aéreas se popularizaram e atualmente os brasileiros estão pagando pouco menos da metade do valor que pagavam há dez anos para cruzar o Brasil mais rápido.
Segundo levantamento divulgado ontem pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), no último trimestre de 2012, o valor médio da passagem doméstica foi R$ 267,31. No mesmo período de 2002, era cobrado R$ 542,64. A redução em dez anos alcançou 50,74%.
Se a comparação for feita entre 2012 e 2011, no período de janeiro a setembro, a tarifa aérea média doméstica foi R$ 273,32, valor 0,15% menor. Ainda segundo a Anac, 68,89% dos assentos comercializados de janeiro a setembro do ano passado foram vendidos com valores inferiores a R$ 300. Tarifas inferiores a R$ 100 representaram 15,63% em igual período. Passagens com valor superior a R$ 1,5 mil representaram 0,23% dos bilhetes vendidos.
Os valores mais atrativos são atribuídos à liberdade tarifária e à oferta das empresas. "As empresas têm buscado cada vez mais diversificar suas tarifas e assim capturar o perfil e a preferência dos passageiros, o que tem contribuído para promover a inclusão social do transporte aéreo", segundo a superintendente de regulação econômica e acompanhamento de mercado da Anac, Danielle Crema.
De acordo com ela, em 2002, apenas 30,45% das passagens aéreas eram comercializadas com tarifas inferiores a R$ 300. Na atualidade, esse valor abarca cerca de 70% das passagens comercializadas.
A procura pelo transporte aéreo aumentou tanto que nem o fato de as empresas terem duplicado, nos últimos dez anos, a oferta de assentos, conseguiu alcançar a demanda de passageiros transportados, que quase triplicou, com média de crescimento de 12,8% ao ano. O presidente da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), Eduardo Sanovicz, garantiu que as companhias aéreas vão manter promoções de passagens aéreas em 2013.
Tarifas acessíveis
Há alguns anos, a aposentada mineira Noemia Silva Costa, 86 anos, não pensava que faria uma viagem de avião. Com tarifas mais acessíveis, ela conseguiu voar pela primeira vez há dez dias. Saiu da pequena Argirita (MG) e foi ao Rio de Janeiro de carro, pegou um avião e veio a Londrina visitar os parentes. "Me deu vontade, queria saber como era viajar de avião, chamei meu primo para me acompanhar e vim", disse ela que, ontem, aguardava no aeroporto para voltar a Minas. Dona Noemia pagou R$ 500 pelas passagens de ida e volta ao Rio.
O jovem Dênis Plínio Ferreira, 18, entrou ontem num avião pela primeira vez. Ele mudou-se para Sinop (Mato Grosso), onde irá trabalhar como motorista. "Paguei R$ 606 na passagem. A de ônibus é a metade do preço, mas teria gastos com alimentação no caminho e demoraria bem mais para chegar", ponderou.
No momento em que conversou com a reportagem, ele se despedia da irmã Nayla Goslen, 24, que no próximo dia 5 irá visitá-lo junto com outros familiares. "Minha passagem ida e volta saiu por R$ 900. Fizemos as contas para ver se seria vantagem ir de carro, mas chegamos à conclusão de que ficaria mais caro", disse Nayla que também fará sua primeira viagem de avião. A jovem conta que pesquisou preços de passagem durante um mês antes de comprá-la. "Para conseguir desconto, é preciso ter paciência, entrar no site todo dia e checar o preço", afirmou.
Mais acostumado ao modal aéreo, o casal de empresários Leandro e Luciana Salvadego aguardava o voo para Maceió. "Pagamos praticamente o mesmo preço que no ano passado", contou ele. "Tenho parentes que antes não poderiam viajar de avião e que agora estão viajando", disse Luciana.
Somente neste mês, o médico Leandro Czezack já voou para Brasília, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Florianópolis por várias companhias. "Se comprar com antecedência, o preço não assusta. Mas se deixar para a última hora, compensa ir de ônibus leito", afirmou. Ele acumula milhas e diz que essa é outra vantagem de viajar de avião. "Se souber usar as milhas, a pessoa consegue viajar bastante", declarou. (Com Nelson Bortolin/Reportagem Local)


