É quase impossível calcular efetivamente quanto o País perde com as greves que estão acontecendo em vários setores da administração pública. Mas é certo que o prejuízo sempre acaba sendo pago pelo contribuinte. É o que afirma o diretor financeiro do Sindicato das Empresas de Consultoria, Assessoria, Perícias e Contabilidade de Londrina (Sescap-Ldr), Osmar Tavares de Jesus. ''Sem entrar no mérito se as reivindicações dos grevistas são justas, é fato que as perdas para o País são imensas e quem acaba pagando a conta é o contribuinte'', afirma.
O que não faltam são exemplos. Entre eles está o da Daimler Chrysler que pode paralisar linhas de produção devido à falta de componentes por causa da greve dos auditores fiscais da Receita Federal. Só na Bahia a greve, que está completando um mês, está provocando prejuízos da ordem de R$ 2,5 milhões às empresas importadoras e exportadoras baianas.
Segundo o presidente do sindicato dos transportadores de contêineres, Creso Amorim, as mercadorias, quando não caem no canal verde da Receita Federal, só estão sendo liberadas por mandados de segurança, acarretando despesas com advogados e processos que já somam R$ 500 mil só em Salvador.
O superávit comercial brasileiro em maio, de US$ 3,03 bilhões, foi 12,13% inferior ao saldo do mesmo mês do ano anterior e surpreendeu tanto analistas privados quanto do governo, que esperavam, no mínimo, US$ 3,1 bilhões, o mesmo montante de abril último.
Outro exemplo é a greve dos procuradores da Fazenda Nacional que estão de braços cruzados há quatro meses. Calcula-se que a paralisação já produziu um prejuízo estimado em R$ 1,4 bilhão.
Este é o valor que deixou de entrar nos cofres do governo em função da greve na PGFN (Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional), setor responsável pela cobrança da Dívida Ativa da União e pela defesa dos interesses financeiros do governo nos tribunais.
Nos quatro primeiros meses do ano passado, graças à ação dos procuradores fazendários, a PGFN arrecadara R$ 2,1 bilhões em cobranças judiciais de devedores do erário. Nos primeiros meses deste ano, sob os efeitos da paralisação dos procuradores, o trabalho da equipe da Procuradoria da Fazenda resultou numa arrecadação bem mais modesta: R$ R$ 683 mil.
Ou seja, entre janeiro e abril de 2005, ingressou nos cofres do Tesouro Nacional R$ 1,4 bilhão a mais do que o que foi apurado no primeiro quadrimestre de 2006. A queda na arrecadação foi de impressionantes 68%. A erosão na cobrança dos devedores do erário repetiu-se no mês de maio.
Mas não é só, a greve na Justiça do Trabalho também está atrapalhando o andamento das ações, prejudicando empresas e trabalhadores. Isso sem contar a greve dos servidores do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) que terminou na quinta-feira. A paralisação do INSS, por exemplo, impediu que as pessoas fizessem perícias médicas ou dessem entrada em processos de aposentadoria. ''O governo demora demais para resolver essas greves e os prejuízos são incalculáveis'', afirma Tavares de Jesus.

mockup