Custo da safra de verão aumenta 11%
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 12 de julho de 2000
Vânia Casado De Curitiba 
Os custos de produção dos principais produtos da safra de verão aumentaram 11%, em média, para o plantio de soja, milho, algodão, feijão das águas e café adensado. O Departamento de Economia Rural (Deral) levou em conta o desembolso que o produtor terá para plantar a safra de verão e compara os custos de junho de 1999 com junho de 2000.
O índice apurado na variação dos custos de produção foi menor que a inflação no período, que alcançou 14,09%, conforme a variação do IGP-DI e o rendimento da poupança, 9,27% no período. Pesou nesse índice o aumento nos combustíveis, que subiram em média 19,6%. Também influenciaram mais o aumento no custo do frete, que evoluiu 27%, e de mão-de-obra, 14%, no período. O custo da mão-de-obra reflete mais no custo de produção do café e algodão, que utilizam mão-de-obra abundante, explicou a engenheira agrônoma Vera Zardo, do Deral.
Os fertilizantes e agrotóxicos tiveram pequenas variações, de 1,12% e 2,8%, respectivamente. Ao contrário do ano passado, quando o preço médio desses insumos aumentou 33% em função da desvalorização cambial. Depois da alta verificada no primeiro semestre do ano passado, os preços se acomodaram e agora, combustíveis e transportes estão pesando mais na composição dos custos, comparou.
Para quem colher uma média de 50 kg/ha de soja, no sistema de plantio direto, o aumento no custo de produção aumenta 7,9% em relação ao custeio da safra passada. A semente de soja, um componente importante teve uma redução de 10% no custo, em função do aumento da oferta. No plantio de milho, também no sistema de plantio direto e produtividade de 100 kg/ha, o aumento no custo é de 13,2%. A evolução do custo acompanhou o aumento do preço do produto.
O custo do plantio do algodão está 11,4% maior, para quem produz em média 123 arrobas/ha; o feijão das águas 9,2% maior para quem colhe 17 sacas/ha e o custo do café adensado está 11,5% maior, para quem tem produtividade média de 120 sacas/ha. O preço da semente de feijão apresenta uma redução de 3,4%, em função do desinteresse do produtor com a cultura.
Segundo o assessor da Ocepar, Flávio Turra, o produtor está sem capital de giro para financiar o custeio da safra de verão e os juros e taxas embutidos nesse financiamento são avaliados como custo para as cooperativas.
Só a TJLP - Taxa de Juros de Longo Prazo - indexador da maioria dos financiamentos era de 11% até o dia 1º de julho e 10,2% depois dessa data. Com a TJLP mais juros fixos de 6% ao ano, o custo básico dos investimentos fica acima da inflação e pesa muito na hora de contrair o empréstimo. Com isso, as dificuldades dos produtores em financiar a safra de verão continua a mesma. Ou seja, os preços dos insumos já estavam caros na safra passada e ficaram mais caros ainda esse ano.


