Arquivo FolhaMelhor que o esperadoCid Cordeiro da Silva, do Dieese: ‘‘Resultado surpreendeu’’O custo da cesta básica em Curitiba, calculado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), teve em junho uma queda de 6,06% em relação a maio. Com o resultado, a cesta básica da capital paranaense passa a ser a terceira mais cara do Brasil - e não mais a segunda, como vinha acontecendo nos últimos dois anos.
Segundo o supervisor técnico do Dieese, Cid Cordeiro, a queda no custo da cesta básica indica um aumento de 5,7% no poder de compra do assalariado curitibano em relação a junho do ano passado. Este percentual, equivalente a R$ 12,58, permitiu a compra de seis quilos de pão, e fez com que o curitibano utilizasse apenas 73,7% do salário mínimo para comprar alimentos. Até então, o percentual de comprometimento salarial era próximo a 80%.
A principal razão para a queda do preço da cesta básica foi o barateamento do pão, da batata e do tomate, itens de maior peso entre os 13 produtos pesquisados pelo Dieese. A batata, que está na época de safra, foi a maior responsável pela deflação da cesta, apresentando uma queda de 28,78%. O tomate, que teve seu preço de comercialização afetado pela qualidade ruim de alguns carregamentos, caiu 11,49%, enquanto o pão teve um queda de 9,09%. A banana (-6,16%), o açúcar (-3,57%), a manteiga (-3,42%) e o arroz (-2,74%) também tiveram queda de preço. De todos os produtos que compõem a pesquisa do Dieese, apenas o café sofreu aumento de preço (9,59%).
Este é o segundo mês consecutivo de barateamento do custo da cesta básica em Curitiba. Em maio, ela fechou o período com a mesma queda percentual em relação a abril - 6,06%. Segundo o economista do Dieese, uma pesquisa feita pelo departamento no início do mês de junho já indicava a tendência de diminuição dos custos, mas esperava-se que a deflação ficasse em torno de apenas 3%. ‘‘Foi um resultado que surpreendeu a todos’’, afirma. A queda de preços acabou anulando, quase por completo, a alta de preços acumulada pela cesta básica desde o início do ano.
As tomadas de preços feitas até agora pelo Dieese indicam que o custo da cesta deverá voltar a subir no mês de julho. Na primeira semana do mês, o conjunto de 13 produtos já soma uma elevação de preços próxima a 2,32%, pressionada principalmente pela banana (10%), arroz (8%), farinha de trigo (8%), manteiga (4%) e carne (0,74%). Itens como a batata, tomate e açúcar deverão continuar em queda de preço.

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