Custo da cesta básica cai em todo o País
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sexta-feira, 04 de julho de 2003
Vânia Casado<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A redução nos gastos do consumidor com alimentação, que tem sido mostrada pelos indicadores regionais de inflação, foi detectada em junho nas as 16 capitais pesquisas pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese) em sua Pesquisa da Cesta Básica. O valor da cesta caiu em todas as capitais pesquisadas e as retrações variaram de 0,37%, em Recife, a 10,18%, em Belém.
Segundo técnicos do Dieese, a tendência da queda nos preços dos produtos alimentícios essenciais já havia sido verificada em maio, quando apenas uma cidade tinha apresentado alta no seu conjunto de produtos básicos.
Em Curitiba, no mês de junho o índice de queda no preço dos alimentos que compõem a cesta básica foi de 5,01%. É a maior queda na variação da cesta básica desde junho de 2000, comparou o economista Sandro Silva, do Dieese.
Os últimos dois meses seguidos com deflação praticamente anularam o aumento ocorrido no preço dos alimentos desde o início do ano. No acumulado do ano, a variação da cesta básica caiu para 2,07%, mas no acumulado dos últimos 12 meses a variação é de 24,61%, o que indica que o preço dos alimentos ainda está em patamar elevado.
Os produtos que mais influenciaram na deflação dos alimentos da cesta básica, foram o tomate, com queda de 17,53%; a batata, com queda de 17,98%; e a banana, com queda de 19,28%. Produtos como farinha de trigo, açúcar, óleo de soja, carne, pão, manteiga e feijão também tiveram redução de preço.
A queda na variação da cesta básica só não foi maior porque por conta do aumento no preço do arroz, que no mês de junho foi de 16,17%. O arroz vem sendo o vilão dos alimentos, com uma alta de 81% nos últimos 12 meses.
Dos 13 produtos pesquisados na cesta básica de Curitiba, 10 deles apresentaram queda de preço, o que reforça a tendência de geral de queda de preços para o grupo alimentação. Com a deflação, o custo da cesta básica de uma família curitibana foi de R$ 465,99, sendo necessários quase dois salários mínimos para satisfazer as necessidades básicas de um trabalhador e sua família.
De acordo com o economista do Dieese, os preços dos alimentos ainda são considerados altos em função da queda de renda do trabalhador. Segundo Silva, essa situação pode ser revertida se nas negociações salariais as empresas concederem aumentos salariais de acordo com a variação do câmbio, que vem ocorrendo desde o segundo semestre do ano passado, mas que ainda não entrou no cálculo dos salários.


