Curitiba - A cesta básica de Curitiba teve queda de 5,34% em dezembro de 2006. A redução observada pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese) é uma tendência nacional, já que das 16 cidades pesquisadas, apenas três apresentaram alta na variação de preços dos gêneros alimentícios. Este comportamento é diferente do apurado pelo Dieese, no mesmo período, de 2005, quando todas as localidades registraram aumentos da cesta básica entre 0,15% e 16,16%.
A capital paranaense obteve a quarta maior queda no ano passado entre as cidades pesquisadas, com a variação negativa de 5,05%. ''Dos 13 produtos pesquisados, sete apresentaram alta, cinco tiveram queda dos preços e apenas um ficou estável, que foi o leite'', informa o economista do Dieese, Sandro Silva, que divulgou os dados, ontem, em Curitiba.
Os alimentos que apresentaram a maior redução de preços foram o tomate, a batata, a banana e o feijão. ''O tomate e a batata tiveram redução devido ao aumento da oferta no início da safra. Mas os preços são altos, assim como da banana, e podem cair mais em janeiro'', explica Silva. Em todas as 16 cidades, três itens encareceram a feira do mês: arroz, açúcar e óleo de soja, mas apenas o arroz tem perspectivas de queda de preço, nos próximos meses.
Segundo o Dieese, o custo da cesta básica para um trabalhador saiu por R$ 167,98, em dezembro de 2006, o que compromete 47,99% do salário mínimo (R$ 350,00). É a sétima mais cara do País. No mesmo período de 2005, era preciso desembolsar R$ 176,92 para adquirir os mesmos alimentos, o que significava 58,97% do salário (na época, R$ 300,00). ''O poder aquisitivo do salário mínimo em relação a cesta básica vem aumentando, porque o salário teve um ganho real de 13% e a cesta uma queda de 5%'', explica Silva.
Segundo o Dieese para atender as necessidades básicas para uma família de quatro pessoas (casal e dois filhos), o salário mínimo deveria ser R$ 1.564,52, valor 4,47 vezes maior do que o mínimo vigente.

Higiene e limpeza - Embora os preços dos produtos de higiene e limpeza tenham caído 6,1% e 2,8% respectivamente, de maio a dezembro de 2006, e ainda tenham tendência de diminuírem mais, o Dieese alerta a população para a necessidade de pesquisar os produtos antes da compra. Isso porque boa parte destes itens apresentaram alta variação de preços. Produtos como balde, rodo, pano de chão e esponja de aço, do mesmo fabricante, são ofertados até três vezes mais caros, de um estabelecimento para outro.
Os números foram levantados pela pesquisa de preço dos produtos de limpeza e higiene feita pelo Dieese a pedido da Federação dos Empregados em Empresas de Asseio e Conservação do Paraná (Feaconspar). No mês de dezembro, os itens de limpeza tiveram alta de 2,37%, influenciada pelos aumentos do sabão em barra (11,66%), esponja de louça (7,89%) e amaciante (5,31%). Já nos produtos de higiene observou-se a redução de 0,30%, alavancada principalmente pelas quedas do papel higiênico (-3,14%) e do sabonete (-3,05%).
Segundo o Dieese, em média, 4% do orçamento familiar são gastos com produtos de higiene e limpeza, em Curitiba. A pesquisa vai subsidiar a Feaconspar nas negociações salariais da categoria e ainda nas concorrências públicas do setor. Para o presidente da entidade, Manasses Oliveira, a deflação foi uma surpresa, já que as empresas se apoiaram no suposto aumento destes produtos, em 2006, para não reajustar os salários e conceder ganho real a categoria. Existem 500 empresas e 45 mil trabalhadores ligados ao sindicato.

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