O Banco do Brasil poderá iniciar os financiamentos de custeio da safra agrícola 1998/99 a partir da próxima semana, caso sejam divulgadas as portarias do Tesouro Nacional para a equalização das taxas de juros, ou seja, o pagamento da diferença entre as taxas de mercado e as dos empréstimos subsidiados aos agricultores.
O diretor de Crédito Rural do BB, Ricardo Conceição, disse ontem que, do total de R$ 11 bilhões para empréstimos de custeio e investimentos na safra, o Banco do Brasil deverá participar com R$ 8 bilhões, o que representa um acréscimo de 31,1% em relação ao volume desembolsado na safra passada, de R$ 6,1 bilhões.
O diretor não identificou, no entanto, todas as fontes destes recursos. Disse que R$ 1,7 bilhão virão do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), R$ 1,3 bilhão da poupança-ouro e R$ 1,2 bilhão das exigibilidades bancárias - parcela de 25% dos depósitos à vista que os bancos devem aplicar na agricultura.
Os R$ 3,8 bilhões que faltam para completar a soma dos recursos anunciados pelo BB virão de investimentos e outras fontes, disse o diretor, sem especificá-las. Conceição garantiu que todos os produtores que tiveram crédito de custeio na safra passada e pagaram os financiamentos terão os limites dos empréstimos garantidos.
O ministro da Agricultura, Francisco Turra, considerou a linha de crédito de R$ 500 milhões para a correção de solo como a maior conquista dos agricultores no novo plano de safra. Desde os anos 60 não havia financiamentos com juros favorecidos e prazos maiores para o investimento na terra. ‘‘Como a agricultura estava descapitalizada, ninguém investia’’, explicou o ministro.
Turra destacou o anúncio antecipado do plano em 17 de junho e disse que se for possível iniciar a liberação dos recursos nos primeiros dias de julho o produtor poderá comprar melhor, reduzindo seus custos. ‘‘Temos de defender uma política de renda para o produtor’’, afirmou.
Entre as novidades lançadas pelo Banco do Brasil para a próxima safra, o diretor de Crédito Rural destacou o ACC Rural, que vai possibilitar aos exportadores a alavancagem de recursos em valores superiores aos seus limites de crédito junto ao BB, desde que as operações sejam lastreadas em BB-CPR.
Na prática, o exportador que contratar o ACC (adiantamento de contrato de câmbio) poderá apresentar em garantia CPR (cédulas de produto rural) avalizadas pelo BB que ficarão caucionadas ao adiantamento. A CPR é um papel que garante ao produtor a venda antecipada da safra. Segundo o diretor de Crédito, o agricultor tem dificuldade para captar recursos em outras fontes.

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