Curtumes ameaçam fechar portas e mudar para MS
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sexta-feira, 24 de agosto de 2001
Vânia Casado<BR>De Curitiba 
Os proprietários de curtumes do Paraná ameaçam fechar as portas e se transferirem para os estados do Mato Grosso do Sul e São Paulo. O motivo é a cobrança de ICMS com alíquota de 17%, imposta recentemente pela Secretaria da Fazenda. Com isso, o custo da matéria-prima sobe automaticamente em 17%, o que vai encarecer todos os produtos da cadeia produtiva do couro, avisa o presidente da Indústria do Couro do Paraná, José Roque Hansen.
O couro era um produto diferido para efeito de recolhimento do impostoestadual. Ou seja, os curtumes não recolhiam imposto na compra do couro. ''O agravante da situação é que o percentual tributado está bem acima da margem bruta que o setor consegue obter'', criticou Hansen.
Segundo o presidente do Sindicato da Indústria do Couro, os 45 curtumes existentes no Estado foram surpreendidos na semana passada com essa medida. ''O pior é que o recolhimento do imposto é retroativo a 27 de março, quando as indústrias já comercializaram os produtos e não têm mais como pagar'', disse o presidente do Sindicato da Indústria de Carnes (Sindicarnes), Péricles Salazar.
Hansen tem esperança de reverter a situação nesta segunda-feira, quando a diretoria do sindicato vai negociar com o governo estadual. O empresário vai explicar que os curtumes representam um setor importante para a economia do Estado porque geram entre 4 mil e 5 mil empregos. Além disso, exercem influência importante no desempenho da cadeia produtiva constituída pelas indústrias de calçados, bolsas e móveis de couro, que geram cerca de 15 mil empregos, porque as indústrias vão pagar mais pela matéria-prima.
Para Salazar, do Sindicarnes, se a medida não for revertida vai provocar um desequilíbrio na indústria de couro do Estado. Os curtumes vão preferir comprar o couro de outros Estados porque vão recolher 12% de ICMS e não os 17% que estão sendo tributados nas operações internas. E os frigoríficos do Paraná, vão preferir vender para fora do Estado porque também vão recolher 12%. ''Isso nada mais é do que promover o passeio do couro, com prejuízos para todos até para o Estado que deixa de recolher o ICMS'', resumiu.


