Curtume que empregou 3 mil vai a leilão
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sexta-feira, 09 de junho de 2000
Vânia Casado De Curitiba 
A massa falida do Cortume Coritiba, que funcionava na Cidade Industrial de Curitiba, vai a leilão pela segunda vez. Agora só serão leiloados os bens móveis da empresa, como máquinas, equipamentos, móveis e artigos de escritório. Desta vez, o leilão será realizado pela melhor oferta dada aos objetos e não pelo valor mínimo da avaliação, como ocorreu no leilão realizado no ano passado. O leilão será realizado no dia 19 de junho, às 14 horas na sede industrial do Cortume, na rua Rodolpho Hatschanbach, 2255, CIC, Curitiba.
A mudança de critério foi possível porque a Justiça permitiu a retirada do imóvel que pertence à massa falida, no leilão. Só o imovel, de 242.000 metros quadrados na CIC, está avaliado em R$ 13,5 milhões o que obrigou o síndico da massa falida a impor um valor mínimo no primeiro leilão. Depois de leiloados os objetos pela melhor oferta, o imóvel também será vendido pela melhor proposta, informou o escritório de Brazilio Bacellar Neto, síndico da massa falida.
Assim que o síndico apresentar as propostas recebidas de pessoas ou empresas interessadas na compra do imóvel, o juiz poderá decidir a data de venda. Os recursos arrecadados com as vendas dos bens móveis e imóveis serão aplicados na quitação dos débitos avaliados em R$ 5,6 milhões, entre débitos trabalhistas e com fornecedores. Não estão computados nesse passivo, os débitos fiscais porque se encontram sub-júdice. O passivo trabalhista está calculado em R$ 3,4 milhões e, com fornecedores, cerca de R$ 2,2 milhões.
A falência do Cortume Curitiba foi decretada em novembro de 1995 e teve ampla repercussão social, com a demissão de cerca de 800 empregados. A empresa, que já foi o maior curtume da América Latina, pertencia a Maurício Beira da Silva. Tinha o imóvel da Cidade Industrial e outro no Centro de Curitiba, onde funciona atualmente um importante colégio na cidade. Nos áureos tempos, entre 1988 e 1989, chegou a empregar 3.000 pessoas, sendo 50% direta e 50 indiretamente. Na época produzia 10.000 pares de calçados por dia e tinha um faturamento mensal em torno de US$ 3,5 milhões. Cerca de 80% da produção era destinada à exportação, atendendo aos mercados da Europa, Oriente Médio e África do Sul.


