A S.A. Curtume de Curitiba - empresa que chegou a figurar como a quinta maior do mundo e primeira da América Latina - vai a leilão na próxima sexta-feira, em Curitiba. A venda foi determinada três anos e meio após o juiz da 2ª Vara da Fazenda Pública, Leônidas da Silva Filho, decretar a falência do curtume. A indústria de processamento de couro estava com uma dívida acumulada de US$ 31,8 milhões e por isso pediu a auto-falência, na época.
O leilão do curtume começará às 14 horas, na sede da empresa que fica na Cidade Industrial de Curitiba. O síndico da massa falida, advogado Brazilio Bacellar Neto, disse que espera arrecadar pelo menos R$ 13,5 milhões com a venda do maquinário e do terreno onde está instalada a empresa. ‘‘Difilmente vamos vender toda estrutura para um único grupo. Será mais fácil vender o maquinário’’, afirmou Bacellar. Bacellar tem poucas esperanças de encontrar compradores para o terreno de 242 mil metros quadrados. ‘‘Desde 95 tentamos encontrar um comprador, mas nunca conseguimos’’, afirmou. A primeira sede do curtume, na rua Itupava, foi vendida em 91, antes do leilão. O local serviu de comitê eleitoral para as campanhas do governador Jaime Lerner e do prefeito de Curitiba, Cássio Taniguchi, nos anos seguintes. Hoje, o antigo curtume se transformou numa das unidades do Colégio Positivo.
Mesmo com a venda de todo o patrimônio, que tem uma avaliação contábil de R$ 17 milhões, não será possível zerar o débito. A preferência será pelo pagamento das dívidas e encargos trabalhistas (US$ 4,7 milhões), obrigações fiscais (US$ 1,2 milhão), passivos a curto prazo (US$ 2,5 milhões) e parte das antecipações de câmbio feitas pelos bancos aos produtos exportados pelo curtume (US$ 12,3 milhões). Bacellar disse que não sobrará dinheiro para pagar os fornecedores (US$ 2,9 milhões) e os bancos (US$ 6 milhões).
A venda do Curtume Curitiba marca o fim de um período em que o beneficiamento de couro era uma atividade importante na capital do Estado. Hoje, os empresários deste setor estão se transferindo para o Mato Grosso do Sul, onde há maior oferta de matéria prima. O principal sócio do Curtume Curitiba, Antonio Dirceu De Boni, instalou um curtume em Campo Grande.
O Curtume Curitiba foi fundado em 1941 pela família Schelencker e, em seguida, passou para o controle do empresário Anacleto Busatto (dono da Britânia Eletrodomésticos). Em 1969, ele vendeu a indústria para as famílias Caron e De Boni. A partir daí, os negócios foram aumentando e, entre os anos de 89 e 91, houve o auge da empresa. O curtume exportava quase toda a produção para os Estados Unidos, China e países da Europa.
Os 1,5 mil funcionários chegavam a beneficiar 2,4 mil peças de couro por dia ou até 50 toneladas o que garantia um faturamento médio de US$ 70 milhões ao ano. Mas os problemas na empresa começaram a aparecer já no governo Collor, quando houve maior controle do câmbio. Em seguida veio o Plano Real que afetou as exportações.

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