A oferta de cursos técnicos é grande em todo o Estado e para todas as áreas profissionais. Além das escolas específicas - como o Instituto Politécnico de Londrina (Ipolon) e o Senai - escolas estaduais e universidades federais também oferecem esse diferencial. Os cursos técnicos são para estudantes de nível pós-medio e também há a opção de cursos integrados, onde é possível cursar o Ensino Médio e o técnico simultaneamente. Além disso, as aulas vêm acompanhadas de um estágio obrigatório, o que pode ser traduzido em experiência prática.
Moisés Pedro Betoni, superintendente da Fundação do Ensino Técnico de Londrina (Funtel), entidade mantenedora do Ipolon, informa que a atual legislação obriga o pagamento de um salário mínimo ou valor proporcional às horas trabalhadas ao estagiário. ''Não conseguimos suprir a demanda do mercado, mas no Brasil ainda há um preconceito contra os cursos técnicos, é um problema cultural'', avalia. Segundo ele, o crescimento econômico do País provocou uma ''explosão do mercado técnico''. ''Não há preocupação das escolas particulares com o ensino técnico e as universidades não preparam para o mercado de trabalho'', avalia.
A Funtel foi fundada em dezembro de 1968 por iniciativa do Clube de Engenharia e Arquitetura de Londrina (Ceal) para atender a demanda da construção civil. Hoje fazem parte do conselho membros do Ceal, Universidade Estadual de Londrina, Prefeitura e Câmara. A entidade não visa lucro, mas é cobrada uma mensalidade para manutenção da escola. O valor é de cerca de R$ 200, semelhante à do Senai.
A Universidade Tecnológica Federal também oferece cursos técnicos e integrado. São opções para as áreas ambiental, indústria de confecções e eletrotécnica. Para ingresso é feita uma seleção baseada no histórico escolar do aluno. ''Nem todas as vagas ofertadas pelo mercado de trabalho são preenchidas. O salário é compatível com o de mercado e há mais oportunidades'', salienta o diretor Marcos Massaki Iamura, diretor do campus de Londrina.
Prática e teoria
A maioria das empresas descobriram o potencial do curso técnico e não abrem mão destes profissionais em seus quadros. A Atlas Schindler, por exemplo, tem funções específicas para pessoas de nível técnico. ''Os cursos técnicos oferecem a prática, enquanto a universidade tem outro foco. O jovem que frequentou esse curso é diferente de outro que não tem nenhuma experiência'', diz Ana Lígia Cécere, analista de Recursos Humanos.
Segundo ela, a indústria incentiva os estudos entre seus funcionários e, por isso, há bastante movimentação interna de promoções de trabalhadores. A Sercomtel também contrata estagiários que frequentam esses cursos. São duas pessoas que fornecem suporte técnico para telefonia celular aos clientes. ''Sempre falo aos estagiários que o trabalho é uma via de mão dupla. Eles nos fornecem o conhecimento e, nós, a prática profissional'', afirma Flávio Luiz Borsato, gerente da área de Planejamento e Engenharia da Sercomtel. (F.M.)

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