Cursos para quem está no seguro desemprego começam em agosto
Até o final do ano o Sine Londrina deve ter os cursos do Programa Nacional de Acesso ao Ensino técnico e Emprego (Pronatec) disponíveis para quem está desempregado e usando o seguro desemprego. A lei que obriga todo trabalhador que utilizou o benefício mais de 3 vezes nos últimos 10 anos a fazer um curso profissionalizante continuado entrou em vigor este mês. Mas a exigência só será válida a partir do momento que os cursos forem disponibilizados.
''Acredito que em agosto os primeiros cursos já vão poder receber inscrições'', anunciou na quinta-feira, a diretora do Sine Londrina, Cristina Sugioka. O Sine já está contratando os cursos junto ao Senac e Sest/Senat, que estão entre as instituições do sistema nacional autorizadas a participar do programa.
A diretora do Sine explicou que cabe ao órgão escolher entre os cursos oferecidos pelas instituições, os que melhor atendem a demanda de mercado local e que se adequam ao programa. ''Os trabalhadores terão de escolher um dos cursos que estiverem disponíveis se quiserem manter ou começar a receber o benefício'', ressalta.
O Sine Londrina recebe mais de 1,2 mil pedidos de seguro desemprego por mês e atende mais de 4,3 mil pessoas procurando vagas. No entanto, não dispõe do número de encaminhamentos que resultam em emprego, já que nem todas as empresas respondem às cartas de encaminhamento. Segundo Cristina Sugioka, a recepção da nova regra do Seguro Desemprego tem sido positiva entre os que têm procurado o Sine. ''As pessoas dizem estar animadas com a possibilidade de fazer um curso profissionalizante'', acredita.
A diretora da Alternativa RH, de Londrina, Solange Oliveira Rabelo está otimista com os resultados da nova regra do seguro desemprego. ''Tenho certeza de que sendo obrigadas a fazer um curso profissionalizante, as pessoas terão melhores chances de encontrar um trabalho e as empresas, menos dificuldade em encontrar funcionários'', afirma.
Mas ela acredita que o problema vivido pelo mercado de trabalho só será resolvido com uma mudança cultural. Ao contrário do que muitos acreditam, as vagas que sobram não são aquelas que exigem alguma capacitação. As empresas de RH de Londrina têm muitas ofertas de serviço para quem não tem nenhuma capacitação como auxiliar geral e em empresas que aceitam capacitar elas mesmas os seus empregados. Mas Solange garante que mesmo estas têm vagas sem preencher por falta de candidatos.
''A falta de capacitação técnica também é um problema, mas hoje o maior desafio das empresas que atuam no recrutamento de mão de obra é a falta de interesse das pessoas em encontrar um trabalho e mantê-lo'', resume.
Ela diz que o ''desinteresse'' é resultado de uma visão equivocada do mercado de trabalho e também da falta de formação básica. As pessoas, diz, acreditam que porque concluíram o segundo grau já estão aptas a ocupar uma vaga e até a serem promovida. Quando são exigidas, complementa, não têm a maturidade para continuar no trabalho.
De acordo com os dados da Alternativa, de cada 10 pessoas encaminhadas para uma vaga, menos da metade comparece e apenas 25% demonstram algum interesse real. ''Se o candidato está gozando o seguro desemprego, é muito raro que ele aceite o emprego, mesmo que a vaga seja muito boa. Mas isto deve melhorar bastante com a nova regra'', diz.
A negativa, explica, nunca é direta. Não comparecer ao aviso da oferta de vaga ou ir à entrevista ou colocar dificuldades como não trabalhar aos sábados e até pedidos para trabalhar sem registro são os mais comuns.
Fonte: Sindicato das Empresas de Consultoria, Assessoria, Perícias e Contabilidade de Londrina - Sescap-Ldr





