Num período de pouco mais de um ano, Antônio Carlos Durão, 35 anos, recebeu três promoções em seu emprego. Ele ainda não havia terminado o curso Técnico em Manutenção Automotiva, no Senai de Londrina, quando conseguiu uma vaga para trabalhar nesta função na Concessionária Divesa (Mercedes-Benz).
Uma pesquisa feita pelo Ibope para a Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgada semana passada, mostra que 90% dos entrevistados acreditam que quem fez curso técnico tem mais oportunidades no mercado de trabalho. Durão é uma dessas pessoas. "Eu trabalhava como técnico de informática, e resolvi mudar de trabalho. Sempre gostei de mexer com carro. O curso do Senai, que dura dois anos, abriu as portas pra mim", declara.
Apesar de as pessoas ouvidas na pesquisa acreditarem na educação profissional como um caminho para um futuro melhor, ainda é baixo o número dos que buscam esse tipo de qualificação. De acordo com o levantamento que ouviu 2 mil pessoas a partir de 16 anos de idade em 143 municípios, apenas um em cada quatro brasileiros já frequentou ou frequenta algum curso de educação profissional. A falta de tempo para estudar é o principal motivo apontado pelos entrevistados (40%), seguido da falta de recursos para pagar os cursos (26%) e a falta de interesse (22%).
Durão não teve medo de se arriscar. Matriculou-se no curso, deixou o trabalho em informática e buscou um estágio na área de seguros de carros. Logo começou a atuar na oficina mecânica de uma outra marca e, em seguida, foi indicado para a Divesa. "Quando cheguei aqui ainda faltava um ano para me formar, mas já tinha aprendido muito da parte técnica", afirma.
O jovem até pensou em fazer curso superior de engenharia. Mas acha que "a relação custo/benefício não é boa". Ele pensa que, se optar por esse caminho, terá de deixar Londrina. "Aqui não tem emprego para engenheiro. Estou pensando em fazer novo curso técnico, desta vez de segurança no trabalho", conta.
A coordenadora de Educação Profissional do Senai da Cidade Industrial de Curitiba (CIC), Taís Lopes, ressalta que o ensino técnico é regulamentado pelo Ministério da Educação (MEC) e que é destinado a pessoas que já têm ensino médio. "Ele proporciona ao aluno uma oportunidade de retirar uma credencial de classe", afirma. Um mecânico, por exemplo, pode tirar um Crea – habilitação do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia. (Com Agência Brasil)

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