Curso técnico abre as portas para o trabalho
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terça-feira, 18 de maio de 2010
Gabriela Pifer Especial para a FOLHA 
Segundo um estudo da Confederação Nacional da Indústria, a procura por profissionais de nível médio vem aumentando conforme a mudança na economia. Chamados de técnicos, os alunos dos cursos de eletroeletrônica e eletromecânica encontram no ensino técnico, uma oportunidade de começar a trabalhar mais cedo. Pela pesquisa, só no Paraná faltam 16 mil profissionais na área de comércio e serviços técnicos e cerca de 21,3 mil nas indústrias.
Visando essa demanda no mercado profissional, jovens de 14 e 15 anos buscam a capacitação por meio dos cursos técnicos integrados com o ensino médio. ''O curso integrado têm as matérias da grade curricular comum mais as matérias técnicas específicas. Por ter duração de quatro anos, o ensino médio não fica carregado'', afirma Edson Luiz Ferreira de Mello, coordenador do curso integrado do Instituto Politécnico de Londrina (Ipolon).
No curso de eletroeletrônica, o profissional vai aprender a fazer instalações elétricas em geral, manutenção elétrica, automação industrial e projetos elétricos, podendo trabalhar até na construção civil. Segundo Wilson Barboza, que ensina e coordena aulas técnicas no Ipolon, o leque de oportunidades é muito grande, começando pelos estágios. ''Nossos alunos saem do curso, praticamente empregados, a procura por profissionais é muito maior do que a oferta'', afirma o professor.
Sendo formado em cursos técnicos, os profissionais recebem a carteira do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (CREA), podendo trabalhar em empresas privadas, órgãos públicos ou até serem autônomos. Os salários iniciais são de 500 reais podendo chegar a mais de dois mil, no caso de um concurso público. Preocupado em ter uma boa qualidade de vida, Diego Perassolli, de 17 anos, está no penúltimo ano de eletroeletrônica industrial e vê o curso como uma forma de chegar à frente, na disputa do mercado de trabalho. ''Sempre gostei da área. Com o curso técnico eu posso trabalhar e ganhar meu próprio dinheiro antes mesmo de frequentar uma faculdade. Vou ter uma experiência a mais que muitos outros'', comemora o jovem estudante.
Para os que optam pelo curso de eletromecânica a realidade não é muito diferente. Nesta área o profissional vai cuidar de toda a parte industrial e manutenção de maquinários. Segundo Romulo José Nicolau, coordenador do curso técnico de eletromecânica do Senai, ter uma região com um número significativo de indústrias, só favorece o profissional da área. ''Toda fábrica tem máquina, tem elétrica e tem mecânica, e precisará do conhecimento prático de nossos alunos. O curso técnico hoje é a resposta mais rápida de empregabilidade'', garante.
É essa prática que Bruno Rafael Sargentin, resolveu buscar no curso técnico. Cursando a faculdade de engenharia elétrica, o estudante de 21 anos sentiu necessidade de procurar um conhecimento além das teorias da faculdade. ''Aqui você tem uma visão mais ampla, no técnico você chega a encontrar mais campo do que no engenheiro, porque você realmente mexe com as ferramentas, sabe como resolver o problema na prática.''
Não são só os jovens que frequentam as salas de aula. Esses cursos tem atraído alunos de 20 até 50 anos. ''Nesse caso, os alunos são normalmente pessoas que já trabalham na área e querem se qualificar, ou porque procuram mudar de profissão e atingir uma melhor qualidade de vida'', explica Felipe Raphael Salgado, coordenador do curso de eletromecânica no Centro Estadual de Educação Profissional Maria do Rosário Castaldi. Os cursos subsequentes têm em média dois anos de duração, e assim como o integrado, conta com horas de estágio.


