Curso orienta produtores sobre agricultura orgânica
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segunda-feira, 09 de junho de 2003
Carolina Avansini<br> Reportagem Local 
Ibiporã - O Centro de Treinamento Agropecuário (CTA) de Ibiporã (14 km a leste de Londrina) iniciou, ontem, mais uma edição do curso sobre agricultura orgânica e olericultura (cultivo de legumes e verduras). Com duração de uma semana, o treinamento é dirigido a produtores e técnicos rurais interessados em adotar práticas de manejo que excluem a utilização de agrotóxicos e adubos químicos. Aberto a 15 alunos, o curso é gratuito e deve ser realizado a cada dois meses.
O instrutor Luis Hiroshi Shimizo afirmou que a demanda por orientações sobre agricultura orgânica é crescente. Como o consumidor cada vez mais busca produtos livres de agroquímicos, os agricultores estão se interessando em converter suas propriedades para atender este mercado.
A vantagem reflete no bolso. Segundo Shimizo, o custo da produção orgânica é de 30% a 40% menor que o custo da agricultura convencional. A comercialização, por outro lado, garante melhor rentabilidade. As verduras alcançam preços 50% superiores; a saca de soja chega a ser vendida a US$ 15,00; e a de café alcança US$ 100,00. ''É uma atividade viável para pequenas propriedades, principalmente no caso das olerícolas'', comentou.
A tendência, segundo ele, é que os preços caiam um pouco quando houver aumento de oferta. ''Mas ainda sobra o mercado externo, cujo potencial a ser explorado é imenso'', disse.
Uma das alunas do curso é a olericultora Regina Yoshimura, de Rolândia (25 km a oeste de Londrina). Única participante que já pratica a agricultura orgânica, ela procurou o CTA para corrigir falhas no cultivo da beterraba e do rabanete, que ainda não conseguiu produzir. Em uma área de 24 mil metros quadrados, ela planta vários tipos de verduras, ervas, brócolis, tomate, chuchu e cenoura, entre outros itens, além de algumas frutas de época.
A produção é vendida na própria chácara. ''Vendo tudo o que produzo'', disse. Por não ter problemas na comercialização, ela ainda não buscou um instituto certificador para atestar que os agroquímicos não são utilizados. ''Os clientes confiam'', contou.
Os outros alunos demonstraram muito interesse em investir na produção orgânica. Regina Patrial, de Ribeirão do Pinhal (57 km a oeste de Jacarezinho), procurou o CTA porque gostaria de converter a propriedade do pai. Produtora de café e leite, ela espera que a adoção das práticas orgânicas traga benefícios para a saúde de sua família, que não trabalhará mais com agroquímicos. Além disso, aposta na redução dos custos e consequente aumento de rentabilidade. ''É uma boa opção para os pequenos sobreviverem.''
O engenheiro agrônomo Egon Bertolaccini, de Londrina, trabalha em uma empresa fabricante de adubo orgânico e, estimulado pelos bons resultados do insumo, está convertendo em orgânica sua propriedade de 100 hectares (ha) de café. Com a iniciativa, ele pretende agregar 100% de lucro à venda dos grãos. ''Quando o produtor se adapta ao novo sistema, os custos também diminuem'', afirmou.


