Curso orienta dekasseguis a investir
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segunda-feira, 23 de junho de 2003
Andréa Bordinhão<br> Reportagem Local 
Para obter sucesso em um novo negócio hoje não basta apenas ter dinheiro e vontade de trabalhar. Com a concorrência cada vez mais acirrada, é preciso planejamento e conhecimento antes de investir. É esta orientação que o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), em parceira com Associação Brasileira de Dekasseguis (ABD), pretende oferecer aos dekasseguis (decendentes de japoneses que vão trabalhar no Japão) que trazem dinheiro para investir no Brasil. Afinal, dados do Sebrae mostram que cerca de 45% dos novos empreendimentos surgidos no País vão à falência em no máximo dois anos. E as pessoas que trazem dinheiro do exterior engrossam essa estatística.
Segundo a ABD, é muito grande o número de brasileiros que voltam do Japão com dinheiro e investem em negócios mal sucedidos. A psicóloga e consultora do Sebrae que ministra o curso para os dekasseguis, Fumika Watanabe Ribeiro, esclarece que isso acontece porque eles voltam ao Brasil com pressa de investir o dinheiro que ganharam. ''Eles estão acostumados a um ritmo intenso de trabalho e não aguentam ficar muito tempo parados. E também não estão habituados a gastar e não ganhar dinheiro'', afirma.
Uma das razões para o surgimento de um curso específico para os brasileiros que trazem dinheiro de fora para investir aqui é o fato de muitos deles só procurarem orientaçãos depois de já terem tido problemas em seus empreendimentos. O gerente do Sebrae de Londrina, Sérgio Garcia Ozório, explica que isso acontece porque a maioria dessas pessoas investem sem ter feito um projeto de viabilidade antes. ''É importante fazer um estudo de mercado antes de se aventurar em um negócio próprio. São vários os pontos que podem levar o empreendimento ao fracasso e eles precisam ser analisados antes do investimento'', salienta.
Denis Sawaki voltou do Japão há um mês e meio, mas, por cautela, ainda não investiu o dinheiro que juntou lá. Depois de participar do curso do Sebrae, ele concluiu que é melhor esperar e colher mais informações sobre o ramo que pretende investir. ''Não é bom ficar parado, mas a insegurança de investir o que ganhei e não dar certo é maior. Quero entrar no segmento de informática e acredito que vale a pena pesquisar mais o mercado e ver como é melhor empregar o dinheiro'', afirma.
O empresário Sérgio Yoshioka é um exemplo de dekassegui que obteve sucesso. Ele já foi cinco vezes para o Japão e entre suas indas e vindas abriu, com um primo também dekassegui, uma gráfica digital. Na época, ele abriu sem nenhum conhecimento prévio do negócio, mas deu sorte. ''Abrimos a gráfica em 1997 e depois disso fui mais duas vezes para o Japão. Eu e ele revezávamos nas idas para lá. Mas o negócio foi bem todo esse tempo e hoje é ele que nos sustenta'', conta.


